Afinal, o Criciúma é candidato ao acesso?

Tigre estreia no sábado (13), contra o Santa Cruz

Por Eduardo Madeira 10/05/2017 - 07:20 hs
Afinal, o Criciúma é candidato ao acesso?
Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma E.C.

A Série B começa na sexta-feira, dia 12, e junto dela chega uma série de projeções sobre quem tem chance ou não de subir. Muitas dessas análises se baseiam em argumentos vazios, como peso da camisa e tradição, e não em força do elenco, organização tática dentro de campo e desempenho técnico na temporada.

 

Somados aos estaduais, que normalmente já enganam mais do que deveriam, temos um impasse em levantar quais são os favoritos ao acesso. Além do Internacional, que pelo investimento já é um favorito destacado, temos cinco campeões estaduais – ABC, Ceará, CRB, Goiás e Paysandu. Se quiserem colocar na conta os outros três times rebaixados do ano passado – Figueirense, Santa Cruz e América Mineiro – já fechamos uma listinha de nove candidatos ao acesso. Aí puxando alguns times que entram na cota “senso comum”, por simplesmente terem tradição, podemos colocar Náutico e até o Criciúma nesse ranking, por exemplo.

 

É óbvio que há algo errado aí. A Série B deste ano me parece mais fraca até que a de 2016 e penso que há um contingente de favoritos menor. Tirando o Inter, poucos parecem despontar. Hoje colocaria somente o Ceará, de apenas duas derrotas no ano. Alguns times, como o Paysandu, possuem bons retrospectos em estaduais de nível técnico baixo e precisam provar um “algo mais” em nível nacional.

 

É dentro deste panorama que entra o Criciúma. Apesar de ter ficado chupando dedo no Campeonato Catarinense, a equipe mostrou bom comportamento com o choque de filosofia causado pela saída de Roberto Cavalo e a chegada de Deivid. É notória a evolução do time, dentro das limitações técnicas do plantel.

 

Mas assim como outros adversários carvoeiros, não consigo colocar o Tigre entre os favoritos pelos enfrentamentos que teve até agora. Em 2017, entre times de Série A e B, os comandados de Deivid disputaram 11 jogos, somando duas vitórias, dois empates e sete derrotas, com o baixo aproveitamento de 24,2%.

 

Claro que esses números precisam ser balanceados. Desses 11 jogos, temos dois pela Copa da Primeira Liga e um contra a Chapecoense pelo Estadual onde o Tigre jogou com formação totalmente reserva, o que diminui o retrospecto para oito partidas, duas vitórias, dois empates e quatro derrotas. O aproveitamento sobe pouca coisa: 33,3%.

 

Filtrando mais esses dados para jogos somente com times da Série B, chegamos ao número de quatro partidas, com três derrotas, um empate e nenhuma vitória, com 8,33% de aproveitamento de pontos. Descontando os dois jogos contra Brasil e Inter na Primeira Liga, fechamos em dois compromissos contra o Figueirense, com apenas um empate e aproveitamento de 16,6%.

 

Isso nos mostra bem como o nível técnico do Campeonato Catarinense pode nos enganar e criar falsas impressões. E isso vale para os outros estaduais. Tem muitos outros times – como Santa Cruz, Náutico e América Mineiro – que estão com tantas dificuldades quanto o Criciúma, e enfrentando adversários até inferiores.

 

 

Hoje é difícil colocar o Tigre como favorito ao acesso, mas falar em rebaixamento, por exemplo, é fora da realidade. O Criciúma está no bolo de postulantes a uma das vagas e que poderá ficar naquele intenso perde-e-ganha de pontos para definir quem subirá lá no final. O andamento das rodadas iniciais será o termômetro para vermos até onde esse time pode ir.