A desastrada gestão para a saída de Deivid

Deivid dá lugar a Luís Carlos Winck no comando do Criciúma

Por Eduardo Madeira 31/05/2017 - 23:27 hs
A desastrada gestão para a saída de Deivid
Foto: Divulgação | Criciúma E.C

Não quero entrar no mérito da justiça quanto a troca na comissão técnica do Criciúma, isso não vem ao caso. Quero me apegar a gestão promovida pelo presidente Jaime Dal Farra, que novamente se mostrou desastrada e provocou uma turbulência maior do que era preciso.

 

Vamos a ordem dos fatos: começando por sexta-feira, logo após a derrota por 3 a 1 para o América Mineiro, a terceira em três jogos na Série B. Deivid demorou quase uma hora para chegar a entrevista coletiva, dando a entender que algo acontecia. Por fim, o técnico apareceu, confirmou que continuaria no clube e até disse que o time não estava em crise.

 

No dia seguinte, surgiu a especulação de que Deivid poderia ser demitido já pela manhã. Por fim, a vontade dos jogadores pesou e a direção optou por mantê-lo no comando do time. No domingo, folga

 

Chega segunda-feira e quem dá a cara a tapa é o diretor-executivo Gabriel Skinner. Entre as afirmações, disse que os jogadores fizeram um pacto pela permanência de Deivid e garantiu que não procedia a informação de que o Criciúma teria procurado outro técnico nos dias anteriores.

 

Pouco mais de 24 horas depois, tanto Deivid, quanto Skinner são demitidos e Luís Carlos Winck é anunciado como novo técnico. Entendeu? Não? Nem eu.

 

Nova lambança – entre as muitas vistas – na gestão Dal Farra. Repito: não estou entrando no mérito de ser hora ou não de trocar o técnico, mas, sim, da condução disso tudo. A direção poderia ter evitado tudo se demitisse Deivid após o jogo ou durante o fim de semana. Agora, qual o sentido de banca-lo, mandar o executivo à cova dos leões para se explicar e dispensa-los em seguida? E por que dar dois dias de treinamento se a ideia já era tira-lo?

 

Em uma tacada só, Dal Farra conseguiu se sujar com dois profissionais. Deivid, por mais que se mostre tranquilo e ciente das razões da queda, certamente não ficou satisfeito ao ver um novo treinador ser anunciado poucas horas depois de ter sido demitido – ou seja, a negociação corria enquanto treinava o time – tampouco Skinner deve ter gostado de ter posição totalmente descartada e subjugada por um presidente que negociou com Luís Carlos Winck por conta própria.

 

Fiquei mais estarrecido ainda quando vi o colega Jota Éder divulgar em seu blog que, em conversa com Deivid, lhe foi passado que Dal Farra alegou “pressões de dirigentes e de um empresário”. De dirigentes até entendo, mas de um empresário? Por qual razão?

 

Não é a primeira vez que Dal Farra apronta mais uma dessas e transforma um barquinho de papel em um Titanic prestes a afundar. Lembram da vez em que mandou o atacante Jheimy e o meio-campista João Afonso para um tratamento médico por conta própria? O episódio culminou na saída do chefe do departamento médico Marinho Búrigo e de pouco serviu para os dois jogadores, que pioraram com o tratamento. Isso que não estou colocando na conta a obscura venda de Róger Guedes, a estreita relação com um mesmo empresário que tem pra lá de cinco jogadores no elenco e outras entrevistas desastradas que concedeu durante o mandato.

 

O mais curioso é que estamos falando de um presidente que também é empresário, ou seja, teoricamente, ele sabe lidar com gestões de crise. “Teoricamente”, porque na prática, está se mostrando um mandatário totalmente desastrado. O Criciúma pede socorro.