Roberto Cavalo 2.0

Em dois jogos, Winck apresenta proposta de jogo semelhante ao do técnico da temporada passada

Por Eduardo Madeira 07/06/2017 - 06:54 hs
Roberto Cavalo 2.0
Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma E.C.

Luís Carlos Winck tinha dado a letra quando foi apresentado oficialmente no comando do Criciúma: queria uma equipe de marcação forte e transição rápida. No discurso, já se assemelhava ao que o Tigre apresentava com Roberto Cavalo entre 2015 e 2016. Com dois jogos no comando da equipe, essa impressão se acentuou.


No empate sem gols diante do Luverdense e na derrota pelo placar mínimo frente o Juventude, o Criciúma mostrou as mesmas características que tinha com Roberto Cavalo: linhas recuadas, marcação forte e ataques baseados em arrancadas laterais e reativas. Para serviço de comparação, é uma diferença muito grande se comparado com o antecessor de Winck, Deivid, que trazia um time de jogo propositivo, de posse de bola e transição baseada no passe.

 

Em Cuiabá, o prejuízo foi pequeno – até pela falta de qualidade do adversário – mas contra o Juventude pesou. Depois de uma etapa inicial controlando as ações adversárias e ameaçando algumas arrancadas, especialmente com Fabinho Alves, o Criciúma passou os últimos 45 minutos esperando uma bola sobrar para estocar um contra-ataque e ganhar o jogo. Foi penalizado no fim e perdeu em Caxias do Sul.

 

Nos números, essa proposta ficou muito escancarada. Contra o Luverdense, o Tigre teve 37% de posse de bola e acertou 228 passes – contra 459 do adversário. Já contra o Juventude, a posse de bola subiu para 43%, mas acertou menos passes: 210. Como exemplo de comparação, com Deivid, a média de passes certos nos três jogos foi de 325.6.

 

Claro que há a ressalva de que Winck está há uma semana no clube, nem bem teve tempo para treinar e já precisou comandar a equipe em dois jogos, mas ficou claro que a equipe já recebeu alguma influência de uma nova proposta de jogo – proposta essa que se assemelha a de Cavalo entre 2015/2016. O modelo de jogo do time foi totalmente deformado de um dia para o outro.

 

Cabe pontuar também que a ideia desta coluna não é fazer qualquer juízo de valor, querendo diminuir o trabalho de Winck ou de Cavalo, apenas apontar semelhanças nas propostas de cada um dos treinadores. Só me estranha o fato de o presidente Jaime Dal Farra ter um técnico que apresentava um modelo de jogo, troca-lo por um completamente diferente e voltar com outro do estilo anterior. Falta de convicção?

 

Lembrando que são mais cinco jogos até o dia 24. Se alguém espera uma grande melhora ainda em junho, sinto em dizer que isso é quase utopia. Foram só cinco rodadas apenas, mas o momento do Criciúma é alarmante.