Desleixo técnico mata estratégia de Winck

Tigre abriu 2 a 0 sobre o Figueirense, mas cedeu o empate

Por Eduardo Madeira 14/06/2017 - 06:54 hs
Desleixo técnico mata estratégia de Winck
Foto: Luiz Henrique/Figueirense

Tenho sérias críticas ao modelo de jogo reativo proposto por Luís Carlos Winck no Criciúma, mas uma coisa admito: foi exatamente essa proposta que deixou o Tigre com uma grande vitória em mãos diante do Figueirense, na última terça-feira (13).

 

Com duas linhas de quatro bem dispostas e próximas, Winck conseguiu bloquear qualquer ação do time da casa pela faixa central. Essa medida inibiu o meia Marco Antônio, assim como o extremo Robinho, que costuma fazer jogadas por dentro. Dessa maneira, o Tigre conseguiu forçar o Figueirense a jogar pelo lado do campo, na mesma maneira em que encontrou espaço para contra golpear.

 

Foi assim que o tricolor abriu, sem grandes esforços, 2 a 0, mesmo jogando no estádio Orlando Scarpelli. Mas se o cenário era tão favorável assim, por que não veio a vitória? A razão me parece clara: o desleixo técnico e tático de alguns jogadores. O principal deles envolve Fabinho Alves.

 

Antes até de analisar a condição do extremo criciumense, bom abrir parênteses. Em pleno 2017, ainda há a discussão sobre a necessidade de os homens de lado recomporem o lado de campo. É extremamente essencial! É preciso pensar o jogo como uma série de ações ofensivas e defensivas e que todos possuem papeis nas duas ações. No plano tático, os homens de beirada são jogadores da linha de meio-campo, portanto, precisam compor essa faixa.

 

E é aí que entra a situação de Fabinho Alves. Nos dois gols do Figueirense, ele simplesmente não fechou a linha e abriu espaço para o avanço adversário. Maicon Silva, que também não teve uma noite feliz, se viu exposto a dois ataques seguidos em que pouco pode fazer. Se Fabinho aproxima e recompõe a linha, certamente Luidy, autor dos dois tentos, teria dificuldades.

 

Os lances dos dois gols são perfeitos para rebater aquele velho papo de “ah, auxiliar de lateral” – expressão que acho abominável. Olha o que acontece se não recompor...

 

A estratégia de Winck, propondo um jogo reativo, de contragolpes e fortalecimento da defesa, não é a dos meus sonhos, mas era mais do que suficiente para bater o Figueirense na capital. Só que propor um jogo assim é preciso comprometimento tático dos atletas. Esse desleixo custou dois pontos que já estão fazendo falta na tabela de classificação.