Alisson Farias: o ponteiro-armador que o Criciúma procurava

Ex-colorado fornece opção de jogo diferente a que Winck possuía

Por Eduardo Madeira 28/06/2017 - 05:27 hs
Alisson Farias: o ponteiro-armador que o Criciúma procurava
Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma E.C.

O técnico Luís Carlos Winck tem à disposição no elenco do Criciúma variadas opções para atuar como ponteiros, mas a maioria – para não dizer todos – possuem características semelhantes. Silvinho, Caio Rangel, Fabinho Alves e até Andrew são jogadores de velocidade, agudos e de boa capacidade de drible, mas que pecam na tomada de decisões. Por mais que criem situações de gol, elas surgem mediante ações agressivas no ataque e não através de construções coletivas.

 

É dentro deste contexto que Alisson Farias entra para acrescentar ao elenco carvoeiro. Jogador que atua pelos dois lados do campo, especialmente o esquerdo, o ex-colorado é o ponteiro-armador que faltava ao elenco criciumense, exatamente por possuir características diferentes dos demais concorrentes de posição.

 

Alisson Farias pode ser uma opção para diversas ocasiões de jogo. No modelo reativo que Winck propõe, ele pode ser útil em puxadas de contra-ataque, por exemplo. Já enfrentando defesas mais fechadas, é uma alternativa aos ponteiros que apenas abaixam a cabeça e correm, podendo fornecer jogo de passes pelo lado do campo.

 

Admito que gosto de jogadores do estilo dele, que mesmo atuando pelo lado de campo, possuem capacidade de construção de jogo. Mas admito também que tenho um pouco de pé atrás nessa contratação. Por mais que tenha talento, Alisson Farias não explodiu, como muitos colorados achavam que aconteceria. As razões para isso? Talvez um deslumbramento (lembrando que ele chegou a fazer estágio no Barcelona) ou simplesmente não era isso tudo mesmo.

 

Bom citar ainda que Alisson, depois de não conseguir minutos em Porto Alegre, teve uma frustrada experiência no Estoril, em Portugal, onde fez dois gols em 13 jogos e voltou para o Brasil antes do término do contrato de empréstimo. Somente na Liga Portuguesa, apenas 580 minutos em campo – equivalente a seis jogos e 40 minutos.

 

Apesar disso, o novo reforço do Criciúma até que teve alguns números interessantes. Segundo o site WhoScored, especializado em levantamentos estatísticos, mesmo com poucos jogos, Alisson Farias teve a quinta maior média de chutes do Estoril, com 1.2. Além disso, ele teve 73,4% de aproveitamento em passes certos, jogando preferencialmente pela esquerda.

 

Gostaria até de citar que antes do início da temporada europeia, Alisson Farias foi colocado como possível revelação do Campeonato Português pelo canal Joga Simples, de Luís Perfeito. Como já citado, a promessa não se cumpriu.


Por fim, vale a tentativa de pensar fora da caixa. O senso comum prega sempre que é preciso buscar “jogadores cascudos e experientes” para jogar uma Série B. Será? Às vezes um garoto com sede para provar que tem potencial pode ser muito mais útil do que um veterano sem espaço em clubes maiores.