Cortina de fumaça

Em novo empate, Tigre encontra justificativa na cera adversária

Por Eduardo Madeira 12/07/2017 - 19:25 hs
Cortina de fumaça
Foto: Caio Marcelo | Criciúma E.C.

Quando disse que Luís Carlos Winck estava se aproximando de ser um “Roberto Cavalo 2.0”, muitos não entenderam, acharam que estava menosprezando ou diminuindo o trabalho dele. Longe disso. A ideia era mesmo traçar uma linha de comparação com a filosofia de jogo do técnico que comandou o Criciúma entre 2015 e 2016. Assim como o atual treinador carvoeiro, ele possuía uma proposta de atuação semelhante, com jogo reativo, de lançamentos longos e avanços laterais.

 

Errado? Não, muito pelo contrário. Cada técnico com sua filosofia. Só que um efeito contrário a este modelo é bater de frente com alguém que jogue de forma parecida. Foi assim que o Tigre se deparou com o Paysandu, na terça-feira (11) - o oitavo jogo invicto, mas terceiro empate seguido.

 

O time comandado por Marquinhos Santos atuou com linhas baixas e tirou o tricolor da zona de conforto ao deixar apenas os homens de defesa carvoeiros com liberdade sob controle da bola e forçar a marcação quando ela chegava na área de criação. Resultado? O Criciúma rodou muito a bola, especialmente entre os defensores, mas não foi capaz de ser realmente efetivo em chances de gol.

 

Por mais que muitos condenem a retranca paraense, Marquinhos Santos fez o Paysandu jogar dentro de suas possibilidades – a exemplo do que o Criciúma fez em Porto Alegre, contra o Inter. Sem vencer há oito jogos e vivenciando um turbulento ambiente interno, marcado por renúncia do presidente após absurda ameaça de morte, o certo a se fazer era tentar agarrar o ponto nos dois braços. Estratégia traçada, estratégia cumprida. O Papão cumpriu seu papel.

 

Competência a parte, porém, os comandados de Luís Carlos Winck não renderam e é algo a ser revisto. Assim como o Paysandu, outros times virão ao estádio Heriberto Hülse para se defender e desta forma ficarão por 90 minutos. Cabe ao técnico treinar situações de jogo que possam preparar a equipe para isso. Toques curtos e rápidos, trocas de posições e até chutes longos. O que não pode é achar que vencerá apenas no abafa.

 

E é aí que entro na tal cortina de fumaça, evidenciada no título. A dificuldade do Criciúma com defesas fechadas, detectadas desde o tempo de Roberto Cavalo – que coincidência, não? – era para ser questionada ao treinador e aos jogadores. Mas, não, houve apego a cera do time paraense.

 

O Paysandu amarrou o jogo? Sim. Os jogadores começaram a cair por qualquer coisa? Sim. Para ser mais direto, fizeram cera? Sim. Fizeram, da mesma maneira que qualquer time faz quando está em vantagem no Heriberto Hülse. Da mesma forma que o próprio Criciúma faz como visitante – ou estão esquecidos do Lucão se atirando da maca em Porto Alegre?

 

Pouco importa se fez mais ou menos. Cabe ao árbitro acrescentar, e assim foi feito com os pouco usuais dez minutos de acréscimos.

 

Se Winck está disposto a discutir a fundo a cera no futebol, beleza, mas que se desprenda dos interesses clubísticos acerca disso, porque se é o adversário fazendo, está errado, mas se é seu time, é malandragem. E enquanto discuto isso, o Criciúma segue rodando a bola atrás da cortina de fumaça, sem conseguir furar as defesas adversárias.