Reativo até quando?

Com resultados melhorando classificação, chegará o momento de o Tigre propor seus jogos

Por Eduardo Madeira 26/07/2017 - 05:47 hs
Reativo até quando?
Foto: Caio Marcelo | Criciúma E.C.

Quando Luiz Carlos Winck chegou ao Criciúma, o discurso dele já mostrava clareza de ideias: o tricolor catarinense seria um time reativo. Aquilo representava que o clube voltava uma casa no tabuleiro, isso porque o modelo do novo treinador era totalmente oposto ao estilo propositivo de Deivid, mas era igualzinho ao de Roberto Cavalo – daí a expressão “Cavalo 2.0”.

 

Desde então, o discurso de Winck é refletido em campo. Em momento algum o Criciúma mostrou facilidade e até conforto em propor o jogo. O contrário é visto quando o time consegue ceder a bola ao adversário e forçar o erro para sair em velocidade, esse sim parece ser o “habitat natural” da equipe.

 

Hoje é fato que o Criciúma de Winck não quer a bola e prefere jogar sem ela. Em apenas dois jogos trocou mais de 400 passes - e, ainda assim, foram duas partidas atípicas: o 2 a 1 diante do Paraná, jogando mais de uma hora com um homem a mais, e o 1 a 1 com o Paysandu, que jogou totalmente recuado.

 

Em média, o Tigre versão Winck troca 266 passes por jogo, quase três por minuto. Como comparação, o Ceará, time que lidera o ranking de passes certos por partida na Série B, troca, em média, 410 passes, praticamente quatro e meio por minuto.

 

Na outra ponta da balança, o Criciúma passou a desarmar mais. O jogo em que o time menos desarmou foi exatamente na derrota mais acachapante: 2 a 0 para o Boa Esporte, quando apenas quatro bolas foram roubadas. Nos demais jogos, sempre de dez para cima.

 

É bom frisar que, confirmando a natureza reativa do time, exceto o 1 a 0 sobre o Goiás, nos demais jogos que venceu, sempre roubou ao menos 16 bolas. Contra o ABC, no último sábado, por exemplo, foram 20 desarmes.

 

Negar a natureza reativa do time de Winck me parece tapar os olhos para algo óbvio. Hoje o time rende mais assim, atraindo o adversário contra si e abdicando da bola para contra-atacar da maneira que sabe, explorando bolas longas pelas laterais e lançamentos longos para Lucão.

 

Se me perguntarem se gosto de ver o time jogar assim, responderia que não, mas entendo Winck fazer isso. Razões como pouco material humano, baixa capacidade de investimento do clube e nível técnico da Série B ajudam a explicar.

 

Agora cabe questionar qual será a postura do time diante de quem jogar da mesma forma. Já tivemos amostras contra Paysandu e ABC e a resposta não foi das mais positivas – contra o time de Natal, o rápido segundo gol ajudou a aliviar a pressão.

 

Com a melhora nos resultados e posterior subida na tabela tem como efeitos o cuidado maior dos adversários, assim como a obrigação pelas vitórias. Quem é obrigado a vencer não pode abdicar da bola o tempo inteiro e precisará propor o jogo e aplicar sua velocidade na partida. O Criciúma precisa estar pronto para, em algum momento, mudar o estilo de jogo e isso não se dá através de uma simples série de treinamentos.