Por que tanta naturalidade?

Tigre foi derrotado por 3 a 1 pelo Ceará, que venceu com facilidade

Por Eduardo Madeira 02/08/2017 - 23:27 hs
Por que tanta naturalidade?
Foto: Divulgação/Ceará SC

Após a derrota por 3 a 1 diante do Ceará, o clima no Criciúma era de tranquilidade e nada de terra arrasada. Estava na ponta da língua de dirigentes, comissão técnica e até mesmo da imprensa o discurso de que vieram três pontos dos seis disputados no Nordeste – uma rodada antes, vitória por 2 a 1 sobre o Náutico – e isso era satisfatório.

 

Óbvio que perder para o Ceará, no Castelão, é normal – basta citar que o Tigre nunca venceu o Vozão em Fortaleza. Mas será que tanta naturalidade assim é bom? Será que é mesmo positivo voltar dessa jornada no Nordeste com três pontos de seis disputados?

 

Bom destacar que essa vitória veio sobre o Náutico, que, na ocasião, tinha vencido somente uma na Série B. O Ceará, que passou pelo tricolor sem tomar muito conhecimento, era adversário direto e estava um ponto atrás na classificação. Os três pontos são os mesmos, mas o contexto era diferente. Valia mais a pena perder para o Timbu e vencer o Vozão, se era satisfatório retornar com 50% de aproveitamento. Estaria com a mesma pontuação, claro, mas seguraria um rival, que agora chega a segunda vitória consecutiva e entrou no G4.

 

Pior do que o resultado em si foi a postura do time nos dois jogos. Nos 180 minutos dos dois compromissos nordestinos, é plausível dizer que o Tigre fez apenas bons 45 minutos – os primeiros contra o Náutico. Depois disso, vimos Luiz extremamente decisivo em Pernambuco e um domínio completo do Ceará, em Fortaleza.

 

A partida diante dos cearenses foi a mais preocupante. Os comandados de Luiz Carlos Winck foram atropelados e, em momento algum, se mostraram competitivos, e é isso que se cobra na Série B – se não pode jogar bonito, ao menos compita. E os erros do Criciúma na Arena Castelão passaram de espaçamento entre as linhas, recomposição falha e entendimento de jogo, por isso o amplo domínio do Vozão.

 

Repito: é normal perder como visitante do Ceará, mas anormal é a forma como perdeu e da maneira em que foi dominado. Em confronto direto, o mínimo que se espera é equilíbrio de ações.

 

Só que preocupa essa normalização dos fatos. Não dá para achar normal a falta de competitividade diante de um rival tão próximo na tabela. Tampouco dá para considerar aceitável a notória desorganização do time em um importante jogo. Mais ainda é achar bom ter 50% de aproveitamento numa série de dois jogos fora, sendo que perdeu o confronto direto.

 

Me desculpem quem acha normal perder dessa maneira ou voltar do Nordeste com três pontos de seis, mas se o Criciúma pensa assim, é melhor assumir logo o discurso de permanência na Série B do que iludir o torcedor com possibilidade de acesso.

 

O Tigre já viveu vários momentos nos últimos anos, com muitos altos e baixos. Muitos desses altos foram proporcionados por uma euforia descabida, assim como diversos baixos surgiram de uma impaciência desmedida. Só que o momento atual do Tigre é de uma naturalização dos fatos que incomoda. Há uma clara falta de relação entre desempenho e resultado, mas tudo é tido como algo normal dentro de um campeonato embolado.

 

Uma coisa precisa ser esclarecida: time com ambição alta, é time com alta cobrança. Confrontos diretos são os jogos fundamentais e a naturalização é inaceitável.