Dias para arrumar a casa e não se empolgar

Após vitória em Recife, Tigre volta a jogar apenas no dia 18

Por Eduardo Madeira 09/08/2017 - 05:47 hs
Dias para arrumar a casa e não se empolgar
Foto: Peu Ricardo/Diário de Pernambuco/Super Esportes

A vitória em Recife sobre o Santa Cruz teve diversas variantes positivas para o Criciúma. Entre elas, a manutenção da proximidade com os times de cima, o distanciamento do Santa Cruz, que poderia ter encostado, e a tranquilidade que paira no clube após duas derrotas seguidas. Agora, serão quase dez dias até o próximo jogo contra o Oeste, no Heriberto Hülse, apenas no dia 18.

 

Esse período será o suficiente para arrumar a casa. Do quarto a cozinha e da sala ao banheiro, em todos os cantos tem algo a ser ajustado.

 

A primeira arrumação é no departamento médico. Raphael Silva, Douglas Moreira, Lucão e até mesmo Fabinho Alves possuem bons dias de recuperação e podem voltar a lista de relacionados do técnico Luiz Carlos Winck.

 

Além disso, o comandante carvoeiro tem algumas questões a resolver dentro do próprio time. Com Raphael Silva se recuperando, como fica o miolo de zaga? Giaretta pode não ser o zagueiro dos sonhos, mas é melhor tê-lo ali do que na lateral. Só que na mesma medida, tem sido mais produtivo colocá-lo pela beirada do que ter Márcio Goiano na função. Se Raphael voltar, quem sai?

 

No meio-campo, Winck precisa expor o que quer. Barreto e Jonatan Lima cumprem o mesmo papel, mas possuem características antagônicas. Enquanto o primeiro tem bom passe e comanda a saída de bola, o segundo contribui pouco no jogo ofensivo e se limita a proteção da defesa. A escolha é muito mais uma demanda de partida do que propriamente qualidade dos jogadores.

 

Tem também o desenho do meio-campo. Em alguns momentos contra o Santa Cruz, o time esteve distribuído no 4-2-3-1, com Ricardinho alinhado a Caio Rangel e Silvinho. Depois retornou ao 4-1-4-1, com Ricardinho e Jocinei compondo a primeira linha a frente de Barreto.

 

Precisando do gol, Winck voltou ao 4-2-3-1, com Caio e Erick Flores nos flancos e Alex Maranhão no centro. Essa alteração trouxe mais toque de bola, mas tende a ser prejudicial a recomposição do lado esquerdo. Dá para resolver essa equação? Em dez dias dá para ao menos tentar.

 

A arrumação principal, porém, está nos ânimos da equipe. Embalado por torcida e também por uma ufanista imprensa que poucas vezes mede as reais situações de campeonato, esse elenco do Criciúma, já tendo como base o ano passado, traz as mais variadas reações em intervalos curtos de tempo. Ganhou? Rumo ao acesso! Perdeu? Vai cair, tem que trocar todo mundo.

 

Isso não faz bem e deturpa nossas análises. A vitória em Pernambuco foi importante, principalmente por ter sido pautada por uma atuação segura, de controle quase que total do jogo e poder de reação. Porém, é sempre bom lembrar: foi contra o Santa Cruz, que beira a zona de rebaixamento e com jogadores sem salários há quase três meses. Assim como foi contra o Náutico há duas semanas, a partida contra a Cobra Coral era totalmente acessível – e assim o foi.

 

Por isso, não há razão para tanta empolgação. Winck parece saber bem disso. A entrevista pós-jogo, em Recife, foi de muita lucidez, de alguém que sabe que o Tigre ainda tem de subir degrau por degrau visando o acesso. Se essa mentalidade for passada ao time, há luz no horizonte que almeja a Série A.