Quatro coisas que não mudaram no Criciúma desde a saída de Roberto Cavalo

Tigre e Cavalo se reencontram na sexta-feira

Por Eduardo Madeira 16/08/2017 - 22:45 hs
Quatro coisas que não mudaram no Criciúma desde a saída de Roberto Cavalo
Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma E.C.

Lá se vão quase oito meses desde a saída definitiva de Roberto Cavalo do comando do Criciúma. Na sexta (18), agora a frente do Oeste, ele volta ao estádio Heriberto Hülse, desta vez como adversário do clube que treinou por pouco mais de um ano.

 

Parece fazer mais tempo e que muita coisa mudou desde o adeus de Cavalo, mas é mera ilusão. Boa parte do elenco permanece no clube, uma parcela considerável de dirigentes ainda está no clube e o Tigre segue caminhando em busca de um lugar ao sol – meio aos trancos e barrancos, mas está cotado para subir.

 

Nesse reencontro, portanto, decidi levantar quatro fatos que continuam intactos no Tigre desde a saída de Cavalo. Entre ideias que seguem no clube e meros fatos curiosos, segue a lista:

 

- Modelo de jogo

 

Cheguei a considerar aqui mesmo neste espaço que Luiz Carlos Winck se aproximava de ser um “Roberto Cavalo 2.0”. Longe de ser uma crítica ou elogio, era apenas uma constatação do modelo de jogo que iria propor, que se assemelhava do agora adversário.

 

O Criciúma atual, assim como o de 2015/16, possui características muito semelhantes na estrutura de jogo. Apesar de Winck adotar o 4-1-4-1, ao invés do 4-2-3-1 anterior, a equipe possui tendência em atuar sem a bola, apostando em lançamentos e jogadas rápidas pelas laterais.

 

Outra semelhança englobada no modelo de jogo é a presença de um centroavante como peça fundamental da estrutura de jogo para prender zagueiros e abrir espaços para os ponteiros, sendo foco dos lançamentos. Com Cavalo, esse cara foi Gustavo; com Winck, é Lucão.

 

- Campanha

 

Chega a ser curioso, mas as campanhas de 2016 e 2017 são absolutamente idênticas após 20 jogos. Nos dois anos, o Tigre acumulou oito vitórias, cinco empates e sete derrotas, somando 29 pontos. Até mesmo a 7ª colocação é a mesma.

 

A única coisa que muda são as distâncias para G4 e Z4. No ano passado, o Tigre estava mais perto da elite e mais distante da terceira divisão. Em 2016, a diferença de pontos para o quarto colocado era de quatro pontos, enquanto nesse ano são cinco; já para a área de queda, eram oito de distância ano passado e seis agora.

 

- Maranhão decisivo em Pernambuco

 

Aproveitando que estamos ingressando na 21ª rodada da Série B, outro fato curioso, mas que se mantém intacto desde que Cavalo saiu foi a vitória na partida inicial do returno, justamente em um jogo em Pernambuco.

 

Em 2016, o Tigre abriu a segunda parte da Série B com vitória por 1 a 0 sobre o Náutico, já neste ano, começou derrotando o Santa Cruz por 2 a 1. A coincidência? Dois jogos em Pernambuco e ambos decididos com gol de Alex Maranhão.

 

- Baixo público 

 

O último ponto é o mais negativo. Nas duas temporadas, a média de público no estádio Heriberto Hülse tem sido extremamente baixa e preocupante visando o fortalecimento do clube perante seu torcedor.

 

Segundo levantamento do Globoesporte.com, em 2017, o Criciúma tem apenas a 15ª média de público, com 2.712 torcedores por jogo, ocupando apenas 14% do Majestoso. Em 2016, a média foi até maior, com 4.080 torcedores, mas não deixa de ser uma participação baixa – foi a 13ª naquela temporada. 

 

Mais do que o estilo de jogo ou a campanha em si, é sobre o último tópico que a diretoria criciumense precisa se apegar. Aliás, “se apegar” é algo que tem faltado ao torcedor do Tigre e a diretoria parece pouco preocupada em tentar resolver esse problema. As promoções geralmente são voltadas aos sócios, enquanto quem não se associou (seja por opção ou por não encontrar um plano mais popular) não vê vantagens para fazê-lo.

 

Vejo a diretoria mais preocupada em tentar solucionar o problema da falta de público antes de entende-lo. Ele é muito mais profundo do que a campanha ruim ou a falta de títulos e passa diretamente pelo distanciamento do clube com o torcedor. Se o distanciamento se manter, a tendência é a média de público despencar ano após ano.