Mandante e visitante: o contrastante equilíbrio da campanha do Criciúma

No contexto do campeonato, campanha fora é melhor do que em casa

Por Eduardo Madeira 23/08/2017 - 22:17 hs
Mandante e visitante: o contrastante equilíbrio da campanha do Criciúma
Foto: Mourão Panda / América

Historicamente, o Criciúma se sai melhor como mandante do que como visitante. Exemplos disso não faltam ao longo dos tempos. Na vencedora campanha da Copa do Brasil de 1991, o Tigre venceu dois dos cinco jogos fora de seus domínios, mas triunfou em quatro de cinco em casa, tendo feito dez gols e sofrido apenas um.

 

Em 2002, em 16 partidas fora de casa, na também vitoriosa campanha do título da Série B, a equipe comandada por Edson Gaúcho perdeu a metade, venceu seis e empatou dois. Em casa, porém, impressionante desempenho invicto, com 15 vitórias e um empate.

 

Até mesmo a inócua campanha na Série B do ano passado cabe nesse cenário. Como visitante, 19 jogos, seis vitórias, três empates e dez derrotas. Como mandante, dez triunfos, cinco empates e somente quatro derrotas.

 

Hoje, com Luiz Carlos Winck como treinador, porém, o cenário é diferente.

 

Após dez jogos em casa em 22 rodadas, o Tigre venceu metade deles, mas empatou dois e perdeu três (dois ainda no comando de Deivid). O aproveitamento de 56,67% deixa o Criciúma apenas com a 12ª melhor campanha em casa entre os 20 times da Série B.

 

Neste mesmo estágio do ano passado, o Criciúma, então dirigido por Roberto Cavalo, tinha a oitava melhor campanha entre os mandantes, com 11 jogos, seis vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Dos 30 pontos somados até aquele momento no torneio, 21 vieram em jogos em casa.

 

Esse último dado mostra bem como a campanha como visitante era ruim. Na ocasião, o Tigre tinha o 15ª melhor desempenho, com duas vitórias, três empates e seis derrotas.

 

Nadando contra a maré, o time atual tem a sétima melhor campanha como visitante. Em 12 jogos, venceu três, empatou cinco (contra os três primeiros colocados, inclusive) e perdeu quatro.

 

Claro que, no saldo geral, são mais pontos em casa do que fora (17 contra 14), mas alguns fatos específicos são bem interessantes, como o fato de ter vencido só duas partidas a mais em casa e ter uma derrota a mais como visitante (nos dois casos, eram quatro a mais em 2016).

 

Difícil saber o que propicia isso. Se voltarmos os olhos apenas para o que acontece em Criciúma, certamente arranjaríamos 1001 desculpas para o Tigre ter campanha em casa quase paritária a como visitante. Porém, abrindo os horizontes, é possível ver explicações no próprio cenário do futebol brasileiro.

 

Com a tendência cada vez maior de times reativos, jogando declaradamente sem a bola e explorando ataques rápidos e objetivos, se tornou comum os times mandantes encontrarem dificuldades além do normal contra visitantes que atuam fechados, em seu campo. Isso talvez ajude a explicar porque alguns donos de casa estão arrumando dores de cabeça constantes com as visitas.

 

Esse equilíbrio na campanha do Criciúma tem pontos positivos e negativos. Positivamente, é bom ver que o Tigre não vira um gatinho indefeso fora de casa, mas negativamente, é preocupante saber que já não impõe mais tanto respeito como mandante.

 

Por fim, a balança tende a pesar para baixo nessa situação. Esse equilíbrio entre os desempenhos dentro e fora de casa seria bom se a campanha na Série B fosse muito boa. Não é. É campanha mediana, de quem ficará na faixa intermediária da tabela.

 

Agora virão dois jogos seguidamente em casa. É o momento chave para quebrar esse equilíbrio, trazer a balança para cima e recuperar o respeito deixado de lado.