Criciúma mente

Série de acontecimentos expõe pouca clareza nas decisões do Criciúma

Por Eduardo Madeira 03/10/2017 - 20:50 hs
Criciúma mente
Foto: Fernando Ribeiro | Criciúma E.C.

O racha entre o diretor executivo Edson Gaúcho e o plantel de atletas do Criciúma já era conhecido há pelo menos duas semanas, mas só agora veio à tona para o grande público. Pelas informações que pude apurar, a relação também era conturbada com a antiga comissão técnica, encabeçada por Luiz Carlos Winck.

 

A ideia desta coluna, porém, não é discutir quem está certo ou errado, se não tem nada demais em usar boné ou se tem que ser bastante rígido mesmo. Neste momento, isso é pouco relevante.

 

O que me incomoda nesta situação é a vontade do Criciúma em querer esconder tudo, em fingir que nada acontece. O presidente Jaime Dal Farra, que daria entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (3), se acovardou, não falou nada e ainda despachou o pobre do assessor de imprensa para explicar que Edson não viajaria mais com o elenco porque iria mapear jogadores para a próxima temporada.

 

Por fim, não disse porque o dirigente já não foi nos outros dois jogos fora de casa, tampouco explicou a queda na frequência das aparições de Edson nos treinamentos. Bom frisar, lógico que não era para o assessor fazer isso, mas sim o presidente.

 

Óbvio que é complicado gerir uma crise dessas, onde dirigentes e jogadores parecem andar em caminhos opostos, mas é mais digno vir a público, dar uma resposta firme e padrão e mostrar quem tem a última palavra dentro do clube do que se acovardar e fugir de seu compromisso, como Dal Farra novamente faz.

 

A intenção me parece ser clara: esperar abaixar a poeira e deixar o assunto morrer. Ou seja, mais uma clara tentativa de esconder os fatos e mentir para o torcedor.

 

Aliás, a palavra “mentira” parece definir bem o Criciúma atual. Vendo o time a sete pontos do G4 e a cinco do primeiro time acima dele na tabela de classificação (coincidentemente, o Oeste, treinado por Roberto Cavalo), o torcedor é obrigado a ouvir Lucão falar que o campeonato “está embolado” e que o Tigre “está colado no 3º e 4º colocado”.

 

O Criciúma vive um mundo paralelo de mentiras, onde só quem está dentro do clube acha que é verdade, em que o time briga pelo acesso, o treinador com prazo de validade até o fim do ano será o grande herói e o dirigente coronel se afasta por um tempo para mapear novos jogadores. Bem-vindos ao mundo de Dal Farra.