Gols sofridos desequilibram campanha do Criciúma

Tigre não sofreu gols em apenas sete jogos na Série B

Por Eduardo Madeira 18/10/2017 - 23:18 hs
Gols sofridos desequilibram campanha do Criciúma
Foto: Caio Marcelo | Criciúma E.C.

Ao fazer uma correlação entre os números de gols marcados e sofridos com times campeões em “Os Números do Jogo – Por que tudo que você sabe sobre futebol está errado?”, Chris Anderson e David Sally chegam a uma conclusão deveras interessante: “A chance de ganhar um título, ou de evitar o rebaixamento, é maior se você tiver uma boa linha defensiva, qualquer que seja o número de gols que seus atacantes sejam capazes de produzir”.

 

A conclusão parece óbvia, afinal de contas, sem sofrer gols, você ao menos empata por 0 a 0 e soma um ponto, mas é interessante que poucos conseguem chegar a este ponto. Haja vista que ainda há um senso comum muito forte que coloca times com nomes estrelados no ataque como “grandes elencos”, da mesma forma que muitas defesas não recebem o devido valor.

 

Trouxe estes trechos exatamente por me lembrar da situação do Criciúma na Série B do Campeonato Brasileiro. O Tigre sofreu gols em 23 dos 30 jogos. Desses 23, venceu oito, empatou cinco e perdeu dez, totalizando 42% de aproveitamento.

 

Pode parecer um dado irrelevante, mas ele cresce em importância se compararmos com os times que estão dentro do G4.  O Inter e o América Mineiro sofreram gols em 14 jogos, enquanto o Paraná sofreu em 15. Coincidentemente, são as três melhores defesas, respectivamente. O único que destoa – mas nem tanto – é o Ceará, que foi vazado em 16 partidas e tem o quinto melhor sistema defensivo.

 

Com Beto Campos no comando, o Criciúma tem sofrido gols constantemente. A única partida em que não viu a meta ser vencida foi no empate zerado diante do Guarani. Nos demais, sempre tomou. Em seis jogos com o treinador, o Tigre sofreu seis gols.

 

Mais do que individualidade, defesa é, acima de tudo, sistema. Um velho jargão diz que em um bom sistema defensivo, um zagueiro ruim se torna bom e um bom se torna ótimo. Por isso que justificar essa fragilidade no setor com razões como a lesão de Raphael Silva ou a ausência de lateral-esquerdo de ofício se tornam secundários.

 

Claro, essas razões pesam, mas não são primordiais. A dupla de zaga com Nino e Edson Borges está atuando junto há quase um turno, enquanto Diego Giaretta ocupa a lateral-esquerda desde a chegada de Luiz Carlos Winck. Não dá para dizer que seja desentrosamento.

 

O sistema é falho. É possível notar erros primários de cobertura nas duas laterais, aproximação entre os zagueiros e, principalmente, o distanciamento entre os setores. O último problema citado, especialmente, vem desde os tempos de Winck e Beto ainda não corrigiu.

 

Faltando agora poucas rodadas para o fim da temporada, o acesso já virou utopia e culpa disso vai para o fraco desempenho defensivo. A equação menos gols sofridos resultaria em menos derrotas, mais pontos e aproximação real do G4. Hoje, é chegar a pontuação mínima para evitar o rebaixamento e pensar em 2018.