Tchau e bença

Beto Campos não vem agradando no comando do Criciúma

Por Eduardo Madeira 09/11/2017 - 23:07 hs
Tchau e bença
Foto: Caio Marcelo | Criciúma E.C.

Beto Campos assumiu o Criciúma com duas heranças deixadas por Luiz Carlos Winck, seu antecessor: pouco repertório ofensivo, muito baseado em jogadas de bola parada, ataques em diagonal e individualidades, e uma defesa sólida, com um 4-1-4-1 bem desenhado e linhas bem dispostas e combativas.

 

Com dez jogos no comando do Tigre, porém, Beto já colocou tudo isso ralo abaixo. Alterou o sistema para o 4-2-3-1, mas, de lá para cá, já são 11 gols sofridos e apenas duas partidas sem sofrer gols. Como exemplo de comparação, nos primeiros dez compromissos com Winck, o Tigre sofreu oito tentos e ficou quatro sem ter suas redes balançadas.

 

Bom frisar que na reta final, pouco antes de ser demitido, Winck perdeu um pouco a mão do sistema defensivo da equipe. O time antes compacto, passou a atuar mais espaçado, ficando mais propenso a bolas longas e uma exposição maior dos defensores. Com Beto, a compactação não voltou mais e o Criciúma perdeu boa parte da combatividade. Passou a ser um time exposto na defesa e que não tropeçou mais na competição porque encontrou equipes tão deficitárias quanto a sua.

 

Ofensivamente, os números são iguais, 11 gols para cada, mas é interessante constatar como Beto não conseguiu aumentar o repertório ofensivo do time. Aliás, tornou a equipe ainda mais dependente das jogadas individuais de Silvinho e da bola parada de Alex Maranhão – sete gols da era Beto partiram de cobranças de falta, escanteio ou pênalti.

 

Claro que você pode argumentar de que não dava para fazer muito mais do que isso com o elenco do clube, mas aí vale a pergunta: quando Edson Gaúcho e Jaime Dal Farra demitiram Winck, eles não perceberam isso? Aparentemente, não, porque o discurso sempre foi de acesso.

 

Ou seja, venderam um sonho para Beto Campos. Uma ilusão de ótica que só a diretoria enxergava. Ele chegou sonhando em subir, mas não sabia o que teria em mãos e acrescentou pouco ao elenco.

 

Conquistou os pontos necessários para não cair, é verdade, mas agora é ‘tchau e bença’. Que a diretoria agradeça aos serviços prestados, mas o deixe seguir a carreira no Novo Hamburgo, porque para o Criciúma acrescentou pouca coisa, mesmo em curto período no clube. Beto estava fadado ao fracasso, e de fato fracassou. Culpa dele? Não totalmente. Culpa maior de quem trocou um trabalho sólido em rápida turbulência por um sonho inalcançável.