Beto Campos retrocedeu o ano do Criciúma

Treinador pediu demissão após ver um pálido Criciúma empatar sem gols com o rebaixado Náutico

Por Eduardo Madeira 15/11/2017 - 22:17 hs
Beto Campos retrocedeu o ano do Criciúma
Foto: Fernando Torres/Paysandu

Há uma semana, disse neste espaço no portal Agora na Cidade que a passagem de Beto Campos no comando técnico do Criciúma era fadada ao fracasso. Assumiu o time com o 2º turno em andamento, teria logo de cara uma sequência de jogos em curtos espaços de tempo e, no meio disso tudo, teria de conhecer e arrumar um time que vinha perdendo a confiança com Luiz Carlos Winck.

 

A situação foi pior do que imaginava. O Criciúma involuiu com Beto Campos no comando e o ano carvoeiro foi retrocedido com a troca na casamata. Até por isso defendia a saída dele logo após a vitória sobre o Boa Esporte, que praticamente assegurou a permanência na segunda divisão.

 

Pergunto a vocês que me leem neste momento: qual foi o jogo realmente convincente do Tigre com Beto Campos? Não digo um jogo exuberante, de encher os olhos, porque na Série B pratica-se um esporte diferente do futebol, mas ao menos uma atuação segura, com a equipe aplicada e pontuando com segurança? Nenhum. Nem nas três vitórias que teve em 12 jogos.

 

Vamos relembrar: o 2 a 1 frente o CRB veio após uma série de oportunidades desperdiçadas pelos alagoanos; no 2 a 1 sobre o Londrina, o Tigre fez primeiro tempo melancólico, escapou de perder por um placar largo, era vaiado antes dos 30 minutos da etapa inicial e se aproveitou dos raros lampejos de Alex Maranhão para fazer dois gols; já o 2 a 0 diante do Boa Esporte foi outro jogo sofrível, onde os mineiros criaram centenas de chances e esbarraram na própria falta de pontaria.

 

Os demais jogos não valem nem entrar na conta.

 

O repertório técnico do Criciúma, que já era baixo com Winck, caiu mais ainda com Beto. O jogo do tricolor passou a se basear em cruzamentos para a grande área e aposta forte nas individualidades de Silvinho, Lucão e Alex Maranhão.  Defensivamente, ponto mais forte do time com Winck, o Tigre passou a ser mais frágil. Dos 12 jogos, a defesa foi vazada em nove, sofrendo 14 gols ao todo.

 

Não é segredo para ninguém que o elenco do Criciúma é bastante deficitário, até por isso acredito que mesmo com Winck o time não subiria, mas o mínimo que se espera de um treinador é preparar uma equipe organizada. Isso é dedo dele, independe da qualidade técnica dos atletas. Beto deixou a desejar neste quesito e fez com que sua passagem pelo Tigre fosse um retumbante fracasso.

 

O papo de “fez o seu papel” por manter o time na Série B é furado. A partir do momento em que Edson Gaúcho, com o aval do presidente Jaime Dal Farra, decide trocar o treinador em meio a competição, mesmo sabendo das deficiências do plantel, eles assumiram um risco de serem cobrados por qualquer resultado diferente do acesso.

 

Beto assumiu com o Criciúma na 8ª colocação, com 34 pontos. A distância para o G4 era de seis e para a zona de rebaixamento era nove. Hoje, o quarto colocado está 13 pontos na frente e a diferença para os rebaixados é de sete. Mesmo não caindo e não subindo, é fracasso. Chegou com discurso de acesso e distanciou o time do objetivo. Beto Campos foi um atraso na campanha do time, e um atraso com a assinatura de Edson Gaúcho e Jaime Dal Farra.