Chutando no ar

Vários nomes, mas nenhuma linha lógica dos possíveis técnicos do Tigre

Por Eduardo Madeira 30/11/2017 - 23:27 hs
Chutando no ar
Foto: Diário Catarinense

Começou com Hemerson Maria, partiu para Roberto Cavalo e Argel, veio Lisca, Fernando Diniz e já se fala até em Gonzaga Millioli. Uma coisa é fato na busca do Criciúma por um treinador para a temporada 2018: o presidente Jaime Dal Farra e sua trupe estão chutando no ar para ver se acertam algo.

 

Digo isso não pela pluralidade de nomes, mas, sim, pela falta de lógica em alguns deles, afinal de contas, estamos falando de uma lista que consegue ter os pragmáticos Argel Fucks e Lisca Lorenzi, técnicos que propõem jogo mais bruto e físico, ao lado de Fernando Diniz, que apresenta ideias mais modernas, com jogo pelo chão e coletividade.

 

Não dá para dizer que seja novidade. Vamos lembrar que o primeiro técnico da era Dal Farra, no fim de 2015, Roberto Cavalo, impunha um jogo de aceleração, ganhando amplitude com pontas velozes e linhas baixas para contra-atacar em velocidade. Ao sair no fim de 2016, veio Deivid, de ideias totalmente opostas: linhas altas, marcação pressão no campo adversário e jogo de paciência, explorando a posse de bola. Ao ser demitido no começo da Série B, veio Luiz Carlos Winck, que adotou como primeira medida descer as linhas mais uma vez e retomar um jogo mais reativo.

 

Cobrar do presidente saber dessas características talvez seja até demais. Não há uma receita do sucesso no futebol. Há presidentes vitoriosos que sabem exatamente como o time joga, mas há quem está ali só para injetar dinheiro e acaba conquistando até mais troféus.

 

Dal Farra simplesmente segue o modus operandi de parcela significativa dos dirigentes do futebol brasileiro: não se preocupa com a ideia de jogo do treinador, dos métodos que pretende implantar, vai apenas em quem está disponível. Se puder encaixar na faixa salarial, beleza, caso contrário, vai atrás de outro profissional, não importando se for de métodos totalmente opostos.

 

Nessas horas, faz falta um homem forte no futebol, um diretor executivo capaz de planejar junto do presidente e executar as ações para o bom funcionamento do departamento. Emerson Almeida parece ainda “verde” para a função e sem muita articulação para a área.

 

Sigo com a impressão de que é Dal Farra que tem tomado a frente nas negociações. Nada contra, apenas não concordo. Entendo a necessidade de encontrar um técnico dentro do orçamento, mas é preciso seguir uma linha lógica, saber o que quer e buscar formas de encontrar o meio-termo para alcançar os profissionais que se enquadrem nisso.

 

A partir do momento em que se busca apenas quem está disponível, já se começa uma temporada de maneira equivocada. Abre-se mão de uma linha de trabalho e de planejamento, e no futebol isso é fatal: um erro no começo desencadeia uma série de falhas que culmina em mais um ano jogado fora.

 

A maré pode até virar, mas, enquanto Dal Farra seguir chutando no ar para buscar um novo técnico, ficarei muito receoso com o 2018 do Criciúma.