Por que Jesus foi envolto em faixas e colocado numa manjedoura?

Jesus é sinal de contradição

Por Alexandre Borges 07/12/2017 - 10:43 hs

Jesus é sinal de contradição antes de nascer, no momento do nascimento e durante toda a sua vida. O seu nascimento é marcado por eventos incomuns em meio ao que podia haver de mais simples e corriqueiro, como uma estrebaria, animais, faixas para envolver, manjedoura... Logo ao nascer é envolvo em faixas. Este processo de envolver alguém em faixas era comum com os mortos, como no caso de Lázaro (Jo 11,44).

Jesus permite que este símbolo prefigure a sua missão, ele seria aquele que viria para dar sua vida. A manjedoura é o objeto onde se coloca alimento para os animais. O próprio nome da cidade Belém significa “casa do pão”. Jesus assim se apresenta como alimento, não um alimento qualquer, mas ele é o Filho de Deus que se faz pão.

Desta forma o menino Jesus enfaixado, como um morto, é colocado na manjedoura, como alimento. Do mesmo modo, anos mais tarde, ele será “enfaixado”, pregado na cruz; a cruz que é objeto feito de madeira como a manjedoura, e o fruto da cruz também será alimento para a humanidade, será Eucaristia.

No presépio, o menino enfaixado, pronto para ser entregue, antes de pedir alimento, oferece a si mesmo como alimento. Ele que veio para libertar, aceita ser amarrado em faixas, pernas e braços. Ele que era um recém-nascido, necessitado de todo cuidado e atenção, faz de sua vida doação, alimento para todos.

As faixas também eram usadas para curar feridas. Ele não apenas aceita as faixas que curam, mas será Ele mesmo a saúde dos doentes; suas palavras e gestos serão remédio para as dores e para as enfermidades dos sofredores. Ele é o profetizado por Jeremias: “Vou enfaixar tuas chagas e curar tuas feridas” (Jr 30,17). É o profetizado por Moisés (Jo 6,32-35), o pão da Vida.

O menino Jesus é o nosso Salvador que veio restaurar nosso corpo paralisado, acalmar o nosso coração atribulado e cuidar das nossas feridas. Ele cura alimentando-nos, com o seu próprio corpo e sangue. A santa Missa é a nova manjedoura, a Eucaristia é o nosso alimento, e sua força a nossa vida! Vinde adoremos o Salvador!