Driblando como poucos

Com grande influência dentro do Criciúma, empresário emplaca renovação de Maranhão

Por Eduardo Madeira 20/12/2017 - 22:03 hs
Driblando como poucos
Foto: Acervo pessoal/Genivaldo Santos

A relação do Criciúma com o empresário Genivaldo dos Santos é um dos cases mais interessantes da história recente do clube. Figura de trânsito livre nos bastidores do Heriberto Hülse, ele coloca jogadores no time a seu bel prazer. Pimentinha, Hélio Paraíba, Adalgiso Pitbul, Caíque Valdívia e Diogo Mateus foram apenas alguns dos nomes que trouxe para o Tigre desde que Jaime Dal Farra assumiu o clube, no fim de 2015.

 

O caso mais icônico, porém, é o de Alex Maranhão. Com um currículo recheado de clubes – nenhuma passagem expressiva – chegou ao Criciúma depois de se destacar no estadual do ano passado pelo Guarani de Palhoça. Demorou para engrenar, fez uma discretíssima (para dizer o mínimo) Série B em 2016, mas conseguiu renovar até o fim do Campeonato Catarinense desse ano, quando enfim deslanchou.


E é aí o ponto central da linha do tempo onde gostaria de chegar para falar da renovação contratual até 2019. Lembram quais eram as condições que Genivaldo havia dado em abril deste ano para que Maranhão renovasse com o Criciúma? Contrato de dois anos e o dobro do salário. Por fim, o vínculo ficou até o fim desta temporada.


Sem me ater aos vencimentos do atleta, queria citar o tempo de vínculo que era cobrado – e não foi aceito na época: até metade de 2019. Meses depois, em nova renovação, o Criciúma não só acabou atendendo aos anseios do empresário como conseguiu colocar mais seis meses na conta. Teremos Maranhão até o fim de 2019!


E quem ri nessa história toda não é nem o atleta, por ter um contrato maior, ou o clube, por acertar com o jogador, mas é Genivaldo, até porque deu um drible em Dal Farra que nem mesmo seu agenciado conseguiu dar desde que chegou ao clube.


Em tempo: olhando apenas dentro de campo, vejo dois reflexos nessa renovação de Maranhão. O primeiro deles, e o positivo, é que o Criciúma simplesmente está sem jogadores e pouco competitivo no mercado de atletas. Chegamos ao ponto de considerar bom ter qualquer um para fazer número.


O negativo, a meu ver, é a qualidade do próprio Maranhão. O ciclo dele precisaria ter sido encerrado neste ano para o bem dele e do próprio Criciúma. Não bastasse a idade já um pouco elevada – 32 anos – ele precisaria produzir mais para a função que exerce em campo. Maranhão constrói pouco, é um atleta de definição e progressão. O que se cobra dele é participação em construção de jogadas, jogo associativo com laterais e meio-campistas, e isso ele tem pouco. É mais meia-atacante do que armador.


Vivemos tempos diferentes no futebol, onde cada vez mais predicados são exigidos dos jogadores e enxergo poucas qualidades nele além do bom passe e do potente chute. Para a função que exerce é preciso de mais, muito mais. Leitura de jogo, entendimento tático e, reafirmo, senso de construção coletiva são necessárias.

 

Ao menos ele tem agora dois anos para me provar o contrário, não é mesmo, Genivaldo?