Houve mudanças... Pouco perceptíveis, mas foram mudanças

Tigre estreou no estadual com derrota em Florianópolis

Por Eduardo Madeira 18/01/2018 - 21:56 hs
Houve mudanças... Pouco perceptíveis, mas foram mudanças
Foto: Marco Santiago/ND

Nem uma catástrofe de uma derrota marcada por uma série de defesas de Luiz, tampouco uma maravilha de um jogo que quase acabou empatado se não fosse uma bola na trave nos acréscimos. A estreia do Criciúma teve suas nuances positivas e negativas, o que é normal para uma equipe totalmente remodelada, buscando se reestruturar.

 

Algumas mudanças em relação a 2017 aconteceram dentro de campo. Foram pouco perceptíveis, é verdade, mas são mudanças que podem indicar um caminho que o técnico Lisca queira seguir.

 

O previsto 4-2-3-1 estava desenhado, com Wallacer na direita, vindo por dentro e Andrew pela esquerda, tentando acelerar e buscando o fundo. Pode-se perceber ainda, um time que tentava propor o jogo pelo chão, sem bolas esticadas e tentando criar espaços através dos passes.

 

O que mais chamou minha atenção foi a saída de bola mais paciente que o que era visto com os antecessores – Beto Campos e Luiz Carlos Winck. O Criciúma de Lisca roda mais a bola e não tenta acelerar o jogo de qualquer maneira. Nessa mesma transição, os laterais abrem o campo junto dos zagueiros, abrindo espaço para Barreto ou Douglas Moreira, que articulavam pelo centro.

 

Aí vem um ponto chave: em que pese a boa circulação da bola, o Criciúma não soube a hora certa de acelerar, seja com passes verticais ou em arrancadas. Penso que faltou uma aproximação de Alex Maranhão, que, em contrapartida, não tem a característica de articular o jogo – é muito mais meia-atacante do que o tão estereotipado “10 clássico”.

 

Maranhão, aliás, é um caso a ser revisto. Já o critiquei outras vezes neste espaço e continua sendo, digamos, irritante vê-lo em campo. Em um time desenhado com três meias, espera-se dele um entendimento maior com os demais atletas do setor, e não um atleta que chuta para o gol na primeira brecha que vê pela frente.

 

Bom, sobre a bola parada, aquela que dizem ser especialista, me abstenho a comentar. Creio que a única chance que Carlos Eduardo teve para cobrar uma falta, onde acertou o travessão após inúmeras tentativas frustradas de Maranhão, resume bem a situação.

 

Foi gritante, ainda, a falta de ritmo de Siloé e Eltinho. Do primeiro é plausível, tendo em vista a inatividade de mais de um ano, mas do lateral, que perdeu a bola no gol de Maikon Leite, é muito preocupante, já que ele vinha atuando até o fim de 2017 pelo ABC. Não era para ter sentido tanto o jogo.

 

Antes que me esqueça, Luiz, apesar das inúmeras defesas, falhou no gol, tanto ao não diminuir o espaço do atacante, quanto ao pular esperando um chute cruzado. Quanto a Barreto, nem eu consigo mais defende-lo. Ele pode ter muitas qualidades no passe longo e no desarme, mas a quantidade demasiada de cartões que toma e o desleixo em algumas jogadas são situações que precisam ser discutidas.

 

É claro que os pontos negativos chamam mais a atenção neste momento, mas o pedido de Lisca por paciência, ainda antes do jogo, precisa ser considerado. Foram poucos dias de treinamento e um time todo remodelado.

 

Ah, sem me esquecer também, ouvi mais de uma vez que o Criciúma “tinha uma base”, levando em consideração a escalação inicial, que contava com sete remanescentes de 2017. Ora, não sejamos ingênuos. Carlos Eduardo e Andrew eram reservas e pouco jogaram, Luiz, por ser goleiro, nem dá para considerar muito na forma de jogar, enquanto Nino se habituou a atuar pela direita - Lisca o colocou no lado oposto.

 

Somente o trio Douglas Moreira, Barreto e Maranhão poderia ser considerado, mas o que são três num time de 11? Ou melhor ainda: o que são três num time de 11, com um técnico novo, de filosofia de jogo diferente?

 

O Criciúma está se reestruturando como time, isso é fato. Da mesma forma que um prédio não é levantado do dia para a noite, um time não é montado assim. É preciso, sim, paciência e respeito aos processos.

 

E sempre lembremos: não se apegue ao resultado. Se a falta cobrada por Carlos Eduardo nos acréscimos vai um centímetro para baixo, mais da metade das críticas de torcida e mídia sumiriam. Pensem nisso.