Lisca está certo em rodar o time

Colunista defende as mexidas do treinador do Criciúma

Por Eduardo Madeira 26/01/2018 - 10:23 hs
Lisca está certo em rodar o time
Foto: Caio Marcelo/Criciúma E.C.

As alterações promovidas por Lisca na formação inicial do Criciúma no confronto diante da Chapecoense pegaram muita gente de surpresa. Da vitória frente o Concórdia ao empate sem gols com o Verdão do Oeste foram quatro trocas, sendo que três dessas opções estreavam na temporada. Vamos lembrar ainda que entre a 1ª e 2ª rodada já haviam sido realizadas outras três mexidas.

 

No frigir dos ovos, Lisca está certo ao rodar o time desta maneira. Por mais que a distância para o líder Figueirense tenha subido – já está em cinco pontos – o treinador precisa ter em mente um primeiro objetivo, que é formar um time. Não adianta lamentar tropeços em casa, a dificuldade em conquistar o título ou estratégias que se discorde se não há um conjunto pronto.

 

É preciso respeitar processos e entender que o elenco é novo, não há quase nada que possa ser aproveitado que veio de 2017. Vitórias virão com time pronto, com ideia de jogo clara. Pressionar agora nada mais é do que acelerar processos e atropelar ações.

 

Ao rodar o time e explorar o que tem a disposição no elenco, Lisca dá um recado claro que está procurando opções e quer encontrar variações dentro do plantel. É o certo a ser feito no momento.

 

Vamos colocar as ideias de jogo no papel: na estreia diante do Figueirense, o Tigre atuou num 4-2-3-1, teve grande circulação de bola, mas pouca agressividade pelo centro. O próprio Lisca reclamou disso.

 

O sistema tático foi mantido na vitória sobre o Concórdia, mas com mudanças pontuais diante de um adversário que, teoricamente, ofereceria menores preocupações. Por exemplo: Barreto, suspenso, foi substituído por Lucas Bessa, jogador mais técnico e acostumado a atuar adiantado, inclusive. Já havia ali uma mudança importante no que tange a transição de jogo, com um atleta que teria uma função mais cerebral nas primeiras linhas. Além disso, houve a estreia de Mailson, que oferece mais opções no 1x1 do que Andrew, atleta mais velocista.

 

Já o jogo diante da Chapecoense, em que pese a pobreza técnica, foi interessante na ordem estratégica de Lisca, que passou do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1. A entrada de Christian na lateral, por exemplo, tinha uma missão clara: combater Guilherme, atacante pela esquerda. O zagueiro improvisado poderia oferecer uma marcação mais firme pelo chão do que Carlos Eduardo, além de vantagem pelo alto nas constantes inversões de jogo que o time do oeste tentava.

 

Na faixa central, Lisca buscou espelhar o desenho armado por Gilson Kleina na Chapecoense. Jean Mangabeira bateria de frente com Alan Ruschel, que tinha liberdade para flutuar; já Douglas Moreira e Wallacer, pelo centro, bloqueavam as movimentações de Elicarlos e Lucas Mineiro. Lucas Coelho, de forma mais discreta, focou atenções em Amaral, enquanto Caio e Mailson impediam os avanços dos laterais.

 

O jogo foi truncado pela soma “time pesado” da Chapecoense, repleto de meio-campistas de pouca criatividade, e que estava anulada por um Criciúma muito bem amarrado por Lisca.

 

Insisto que o treinador está certo em fazer essas experiências. O foco inicial é encontrar um time e o estadual que se dane. Com pré-temporada mais do que curta, é preciso testar com bola rolando. Os primeiros jogos serão assim e a paciência, tantas vezes pedida por Lisca, se faz necessária nesse momento.