Quaresma, tempo de conversão!

Que relação há entre Adão e Eva e a Quaresma?

Por Alexandre Borges 14/02/2018 - 13:46 hs
Quaresma, tempo de conversão!
Quaresma - Pascom

 

O tempo litúrgico é uma pedagogia de santidade, que nos propõe viver o tempo cronológico como tempo de salvação (kairós) e viver no espaço mundano como se estivéssemos no templo sagrado. O tempo da Quaresma é um tempo de retorno para Deus. A proposta da Igreja para o tempo da Quaresma é buscar os antídotos para a vida sem Deus, uma vida que é descrita por São João como concupiscência: “Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2, 16-17). O antídoto à proposta de uma vida sem Deus é identificada pela Igreja, desde os primórdios, com o jejum, a esmola e a oração. A concupiscência da carne é acreditar que o sentido último da vida está somente naquilo que se vê, na realidade sensível da vida. Quem aposta que o sentido último de sua vida está na carne constrói sua casa sobre a areia. Parece uma vida cheia de aventuras, sensações, paixões e prazeres, mas tudo se desmorona e revela-se um grande vazio e amargura. Para que não caiamos nas armadilhas da carne a Igreja nos propõe o jejum. O jejum é a moderação dos apetites de nosso corpo sensível, para que encontremos a verdadeira realidade da vida espiritual para além das aparências. De outra forma, quem aposta o sentido de sua vida apenas no que pode ver com os olhos, conhecer com a mente, e guardar para si como possessão achando que tem ou pode possuir todas as resposta a partir somente de si mesmo, ou das coisas que estão no mundo, acaba como aquele que conquistou o mundo inteiro, mas veio a perder sua vida. O antídoto para a concupiscência dos olhos é a esmola, doar para que o outro tenha vida e vida em abundância. Não guardar para si, mas usar de todas as coisas para o bem do próximo. A esmola é descobrir que sobre qualquer coisas pessoal que tenhamos pesa sempre uma dimensão social. A caridade assim é o sentido da vida para quem é apegado às coisas materiais. Por fim, a soberba da vida. Quem vive assim acha que não precisa de Deus para dar conta de sua existência. Acredita que com as próprias forças poderá encontrar o sentido último da existência. Deixa Deus de lado e considera que pode tudo sem ele. O antídoto para este pecado? A oração. Rezar é colocar Deus em primeiro lugar e descobrir nele alguém amoroso que é a nosso favor. Assim, a oração nos esvazia de nosso orgulho e faz-nos reconhecer que sem Deus nada somos e nada podemos. Mas como este tema nos aproxima de Adão e Eva? É que o pecado deles foi exatamente a concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida. Acreditaram na serpente que matando sua fome no fruto encontrariam saciedade, que recebendo o conhecimento que vinha da árvore seriam como deuses, e ao fazerem isso declarariam que o Deus verdadeiro os estava enganando, e que poderiam por si só encontrar o significado de suas vidas. Ledo engano. Caíram no pecado da carne, dos olhos e na soberba da vida. Resultado, sentiram vergonha do que fizeram e de si mesmos, e foram expulsos da vida da graça. A quaresma é um convite a que nós voltemos ao paraíso perdido, porém não como o primeiro, mas muito superior pois somos chamados ao jardim das Oliveiras onde Jesus suou sangue por amor a nós e de lá se encaminhou para a Cruz e a Ressurreição. Quem vive bem a Quaresma faz morrer o homem e a mulher velhos (Adão e Eva) com seus pecados, para viver uma nova vida, a dos filhos de Deus que nos foi conquistada pelo sangue do Cordeiro Santo e sem mancha. As cinzas recebidas na quarta-feira que abre a Quaresma representam este retorno para Deus: Converta-te e creia no Evangelho!