Efetivar ou não: eis a questão

Recentes atuações levantam a possibilidade da manutenção de Grizzo no comando do Tigre

Por Eduardo Madeira 16/02/2018 - 10:55 hs
Efetivar ou não: eis a questão
Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma E.C./Arquivo

Uma série de fatores levantam a especulação em torno de uma possível efetivação de Grizzo no comando técnico do Criciúma. Elas vão desde a falta de dinheiro do clube para investir, convicções (ou falta delas) do presidente Jaime Dal Farra e a maior disposição demonstrada pelo time nos últimos jogos.

 

Bom frisar que cito “maior disposição” ao invés de “evolução”. Observo algumas situações dentro do time do Criciúma que me deixam com o pé atrás com uma efetivação do interino. Isso passa por conceitos de jogo e atitudes tomadas nas partidas.

 

Quanto aos conceitos, Grizzo tem tomado algumas escolhas das quais não concordo muito, como espaçar setores, encaixes individuais de marcação e, principalmente, a retenção de marcadores para liberar homens de lado. Algumas dessas medidas, especialmente a última, podem dar certo no Campeonato Catarinense e seu horrendo nível técnico, mas na Série B, onde a qualidade sobe (nem tanto, mas sobe), isso pode pesar.

 

Há ainda a preocupação quanto a miscelânea de decisões que toma na escalação. O que dizer de Andrew, que já foi ala, lateral esquerdo e direito e ponteiro? Ou de Jean Mangabeira, volante, zagueiro e até lateral-direito? Em alguns casos, eles atuaram nessas funções dentro de uma mesma partida.

 

Claro, é uma importante valia desempenhar mais de uma função. O que questiono nessa situação é a utilização por conveniência, por necessidade de jogo e ausência de peças, e não por convicção, por entender que podem ser úteis ao time por ali. Precisa remendar? Desloca um deles pra lá.

 

Ao menos há a disposição que citei acima. Grizzo é totalmente identificado com o Criciúma, certamente faz tudo com a melhor das intenções e, muitas vezes, com o coração acima da razão. Na beira do gramado, ele é a personificação do clube. Qualquer atleta, seja da base ou contratado de outra equipe, que tenha o mínimo de empatia com o Tigre, percebe isso e se entrega em campo.

 

Porém, é importante frisar que cinco jogos é uma amostragem muito pequena, pouco para cravar se Grizzo dará certo ou errado – da mesma forma que os quatro jogos de Lisca indicam o mesmo, embora ele não pensasse dessa forma. Por isso mantenho a cautela, a mesma que a diretoria precisa ter. É preciso separar bem o que é evolução e empolgação nesses últimos jogos antes de decidir se o certo a ser feito é efetivar o ex-atleta.