Vale a pena dar a vida como um criminoso para um povo que o rejeita?

Jesus no Getsêmani

Por Alexandre Borges 07/03/2018 - 12:40 hs
Vale a pena dar a vida como um criminoso para um povo que o rejeita?
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Vale a pena dar a vida como um criminoso para um povo que o rejeita?


O que Jesus provou em seu íntimo no Horto das Oliveiras?

O relato de Mateus (Mt 26, 36-46) conta com total dramaticidade a cena da angústia de Jesus antes de sua morte. Jesus, o filho de Deus, teria passado realmente por essa cena de total abandono, angústia e dor?

É difícil imaginar que a comunidade, convencida da divindade de Jesus, tenha inventado a imagem de um Cristo conturbado e hesitante no momento decisivo da prova. É tão real o acontecimento que os evangelistas relatam insistentemente a oração de Jesus e o sono dos discípulos, três vezes cada. O Três é um número que revela totalidade e perfeição na linguagem da Bíblia.

Na cena somente Jesus fala. Os discípulos, mesmo interpelados por Jesus, permanecem em silêncio. Jesus está totalmente sozinho. Diante do falimento de sua atividade com Israel representado pelos discípulos, Jesus experimenta a tentação: vale a pena dar a vida como um criminoso por um povo que o rejeita? Se ele fosse adiante com a decisão de dar a sua vida seria considerado como um malfeitor, pois deveria ser crucificado. Se voltasse atrás suas palavras e gestos perderiam valor e sua missão estaria comprometida.

O que fazer? Jesus apresentado pelos evangelistas, especialmente Mateus e Marcos, experimenta a humanidade na sua mais plena realidade.

Ele cai por terra, sua sangue, se angustia, sente medo e tristeza profunda na alma, tristeza até a morte. Não existe uma cena mais marcante da humanidade de Jesus do que o horto das Oliveiras, que aliás chamava-se Getsêmani, que significa “onde se tira o azeite”, onde se esmaga o fruto para tirar dele sua seiva, sua vida. Diante da angustiosa cena que lhe espera nos próximos passos Jesus reúne forças para dizer: Não a minha vontade, mas a tua seja feita.

Dito isso se levanta, chama os discípulos por que o que lhe vai entregar já se aproxima. Foi na oração, prostrado por terra, com gotas de suor e sangue, com tristeza profunda semelhante a da morte, sozinho e abandonado, ancorado somente na presença amorosa do Pai que Jesus decide: Vale a pena dar a vida pelo meu povo! Ele escolhe o amor, não o sofrimento.

O amor se torna mais forte do que a morte! A morte de Jesus será a manifestação da fragilidade de Deus. Não um homem que se manifesta com a glória de Deus, mas um Filho de Deus que se revela na fragilidade de um homem.

As cenas que se seguem são de total dor e sofrimento experimentadas por um inocente que deu sua vida por um povo que não o reconheceu, mesmo assim Ele o amou até o fim!