Ele muito amou!

E seu amor salvou-nos!

Por Alexandre Borges 26/03/2018 - 14:36 hs
Ele muito amou!
Tirzá de Mattia Martinhago

Ela muito amou, por isso os seus muitos pecados foram perdoados!

Jesus afirma que a mulher pecadora, que lhe lavou os pés com perfume e lágrimas e enxugou com os cabelos, teve seus pecados perdoados porque muito amou (Lc 7,47). São Tiago afirma que “aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados” (5,20). 
Assim, a Palavra nos atesta que o Amor perdoa pecados e salva a vida da morte. Mais do que o amor da mulher, que lavou os pés de Jesus, o amor de Jesus por nós perdoa todo o pecado do mundo. Ele lavou os pés de 12 apóstolos, número simbólico que significa a totalidade dos que são salvos.
O amor da mulher foi demonstrado ao comprar o perfume caro e em ter enfrentado a turba de preconceituosos para poder se ajoelhar diante de Jesus e lhe lavar os pés, o que, sem dúvida, deve ter-lhe causado um grande sofrimento e hesitação. 
O amor de Jesus foi demonstrado também por seu sofrimento. O perfume que ele derramou por nós não foi o nardo, o caro perfume da mulher, que, segundo alguns discípulos, poderia ter sido vendido e assim ajudado algumas dezenas de pobres. 
Por outro lado o perfume de Jesus derramado por nós foi seu próprio sangue, que salvou todos os pobres. O sofrimento da mulher foi ter de perder as seguranças e enfrentar o respeito humano e se apresentar diante de Jesus quando previa o julgamento de todos por ser pecadora pública. O sofrimento de Jesus foi, além da sua paixão desde a quinta-feira santa, ter experimentado na cruz o abandono total e se apresentar, ele mesmo, como pecador público, já que na cruz estavam somente os abandonados por Deus e pecadores contumazes e explícitos. 
O ápice do seu sofrimento foi chamar o seu Abba, Paizinho, de El. El é o nome pagão para Deus, um nome genérico, que não indica proximidade, nem familiaridade. Jesus, ao gritar “El, El por que me abandonaste?” demonstra ter chegado ao fundo do poço. Perdeu todas as seguranças e garantias. Ele que passava horas e horas em oração, madrugada à dentro, em íntimo colóquio com o Pai, agora já não o chama assim, o Pai é apenas um estranho, alguém que não pode salvar, um qualquer que não pode garantir a vida. 
Mas o momento de maior abandono foi também o de maior amor, quando não havia nenhum motivo para seguranças ele se abandonou totalmente nas mãos do Pai, “em tuas mãos entrego o meu espírito”. 
Jesus morreu somente com a fé, na escuridão total, não viu o Pai no momento da morte. Uma depressão infinita, uma angústia lancinante. Morreu com apenas uma certeza, iria amar até o fim, não importasse o que acontecesse, nem mesmo se sentisse o abandono do Pai. 
O sofrimento foi infinito, por isso, o amor também foi infinito e desta forma seu perdão alcançou a todos, infinitamente. 
Ele amou-nos infinitamente, todos os nossos pecados foram perdoados!

Uma boa semana Santa a todos!
Alexandre Borges