Curso de Direito da Unesc aborda temática de gênero com professoras renomadas nacionalmente

Evento conta com palestras nos períodos matutino e noturno

Por Redação 08/03/2018 - 16:27 hs

Curso de Direito da Unesc aborda temática de gênero com professoras renomadas nacionalmente
Foto: Divulgação

“Nós não queremos, enquanto mulheres, ser mais ou ser menos que os homens. Nós queremos não ocupar espaços, mas o reconhecimento dos espaços que nós já ocupamos. A gente já ocupa vários locais. Somos maioria nas universidades e isso não é só estatística de Ensino Superior, mas também em todo o grau de formação escolar. E por qual motivo nós ainda sofremos violência e somos inferiorizadas? Nós em uma Instituição de Ensino Superior, estamos em um lugar de privilégio. Estar em uma Universidade é representativo de que nós conseguimos ter acesso a conhecimento e isso faz a diferença onde atuamos”. A afirmação é da professora doutora da UFSC Grazielly Alessandra Baggenstoss, que falou sobre “Gênero e Feminismos no Ensino Jurídico” na manhã desta quinta-feira (8/3), para professores e acadêmicos do curso de Direito da Unesc, durante a Aula Inaugural.

Grazielly é doutora em Direito, Política e Sociedade (UFSC), mestre em Direito, Estado e Sociedade (UFSC), doutoranda em Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano. Professora da UFSC, atuante no curso de Direito, no Programa de Pós-Graduação em Direito e no Programa de Pós-Graduação Profissional em Direito nas disciplinas de Direito e Feminismos, Hermenêutica Jurídica, Prática Jurídica e Metodologias do Ensino Jurídico e da Pesquisa.

O evento segue ainda esta noite com a palestra “Mulheres e Carreiras Jurídicas”, com a professora doutora da Universidade de Brasília e ex-vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, às 19h15, no Auditório Ruy Hülse.

Este é o segundo ano que Direito faz a sua Aula Inaugural para marcar o início de um semestre letivo no Dia Internacional da Mulher. Segundo o coordenador do curso, João Carlos de Medeiros Júnior, a escolha parte da necessidade de reflexão sobre temas envolvendo as mulheres. “Quando falamos em discriminação, infelizmente, falamos de intolerância. Se existe com as mulheres, é porque também existe com pessoas com menos condições financeiras, com negros, índios, em função de orientação sexual, da identidade de gênero, devido a religião. Mas cabe pensar o seguinte: estamos no mesmo planeta e somos todos da mesma raça, a humana. Então vale olharmos para dentro de nós e para o outro. Em essência, somos iguais”.

A coordenadora adjunta do curso, Márcia Piazza, lembrou da importância de debater a mulher na carreira jurídica. “A mulher não quer ser mais ou menos. Ela quer representatividade e respeito”.

O vice-reitor da Unesc, Daniel Preve, afirmou que eventos como o de hoje são importantes para a formação acadêmica e cidadã e que todos os profissionais do Direito têm responsabilidade social de colaborar com a transformação de realidades. Segundo ele, falar sobre o tema mulher vem ao encontro de uma realidade vivida. “Hoje, 64% dos estudantes de Direito da Unesc são do sexo feminino. No Brasil, elas correspondem a 56% do total de acadêmicos no curso de graduação de Direito e 52% nas Instituições de Ensino Superior. No entanto, 70% das mulheres brasileiras sofreram ou vão sofrer algum tipo de violência física ou moral. A educação é primordial no sentido de trabalhar a conscientização e mudar paradigmas”.

Representação

Durante a palestra da manhã, representantes da sociedade também deram suas contribuições ao debate. O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, Evandro Fraga, falou sobre a Rede Catarina de Proteção à Mulher e a Patrulha Maria da Penha, que tem agido para proteger a mulher em casos de violência doméstica. O delegado da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, Fernando Possamai, apresentou o trabalho da Polícia Civil em casos de violência doméstica. “Dos 5.600 boletins de ocorrência, 80% envolvem violência doméstica. As mulheres têm denunciado, mas poucas dão continuidade”, comentou.

A presidente do Conselho Municipal de Direitos das Mulheres, Maria Estela Costa da Silva, falou sobre o trabalho do conselho, as parcerias com outras entidades e as dificuldades e luta das mulheres negras na sociedade. A presidente da Subcomissão da Mulher Advogada da OAB/Criciúma, Rosana Guimarães Corrêa convidou mulheres e acadêmicos para participarem dos trabalhos e comissões da Ordem.

Os estudantes também tiveram participação no evento. Representados pelo presidente do DCE, Alexandre Bristot, pelo presidente do CA de Direito, Marcos Meller e pela vice, Amanda Costa Milan.

Colaboração: Milena Nandi / Comunicação Unesc