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  • Morro da Fumaça, 24/07/2026
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    A infância pede presença

    O que vemos quando paramos

    Reflexão mostra como o uso constante do celular tem reduzido nossa capacidade de contemplar os pequenos momentos do dia a dia e estar presente na vida


    O que vemos quando paramos

    Há alguns dias, uma mensagem recebida por uma de nós deu origem a esta reflexão.

    Era o relato de uma adolescente que voltava para casa de ônibus. Enquanto observava a cidade pela janela, ela escreveu:

    "Percebi como o celular influencia as pessoas. Quando o sinal fecha, a maioria dos motoristas já pega o celular que estava no colo. Parece que esperar um minuto virou uma tarefa difícil. Hoje está um dia lindo, ensolarado, mas parece que ninguém liga. As pessoas deixaram de admirar a vida. Olham para o céu só para reclamar do tempo ou para postar uma foto."

    Aquelas palavras nos fizeram pensar. Talvez porque descrevam uma cena tão comum que já deixou de nos causar estranhamento.

    O sinal fecha. Quase automaticamente, a mão procura o celular. Não importa se a espera será de trinta segundos ou de um minuto. O impulso parece sempre o mesmo: preencher qualquer intervalo com uma tela.

    Sem perceber, fomos desaprendendo a esperar. E, junto com a espera, talvez estejamos perdendo algo ainda mais precioso: a capacidade de contemplar.

    Observar o movimento da cidade.

    Perceber as pessoas.
    Reparar nas árvores.
    Sentir o vento.
    Olhar para o céu.
    Ou simplesmente deixar os pensamentos seguirem seu próprio caminho.

    Pequenos momentos que sempre fizeram parte da vida, mas que hoje são rapidamente substituídos por mais uma notificação.

    A neurociência já demonstra que nosso cérebro se adapta às recompensas imediatas. Aos poucos, o silêncio começa a incomodar, o tédio parece insuportável e qualquer pausa desperta o desejo de buscar um novo estímulo.

    O problema não está apenas no celular. Está na dificuldade crescente de permanecermos presentes.

    E isso nos leva a uma pergunta importante: se nós, adultos, já temos dificuldade em permanecer um minuto observando o mundo ao nosso redor, como as crianças aprenderão o valor da contemplação, da curiosidade e da presença?

    A vida não acontece apenas nos grandes acontecimentos. Ela acontece justamente nos pequenos intervalos.

    Enquanto esperamos o sinal abrir.
    Enquanto observamos a chuva chegar.
    Enquanto uma criança aponta uma nuvem diferente no céu.
    Enquanto alguém segura nossa mão durante uma caminhada.

    Talvez esteja na hora de recuperar esses momentos.

    Não porque a tecnologia seja uma inimiga, mas porque nenhuma tela é capaz de substituir a beleza da vida acontecendo diante dos nossos olhos.

    Enquanto o sinal está fechado, a vida continua seguindo seu caminho.

    A pergunta é: nós ainda estamos olhando para ela?



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