O Brasil em Campo, e Vidas em Jogo
No mesmo dia da vitória do Brasil sobre o Haiti, fumacense transformou a paixão pelo futebol em um convite à solidariedade
Morgana convoca a seleção de doadores para se cadastrar no REDOME Enquanto milhões de brasileiros acompanham a emoção da Copa do Mundo e torcem pela Seleção Brasileira, uma campanha silenciosa, mas igualmente importante, busca mobilizar a população em favor da vida. Com o tema “Tempo de Copa do Mundo, Tempo de Doar”, a iniciativa chama a atenção para a necessidade constante de doadores de sangue e para a ampliação do cadastro de doadores voluntários de medula óssea.
Em Morro da Fumaça, a fumacense Morgana Máximo tornou-se um exemplo dessa mobilização. Na tarde de sexta-feira, dia 19, ela esteve no Hemosc para realizar mais uma doação de sangue. Horas depois, acompanhou a vitória da Seleção Brasileira por 3 a 0 sobre o Haiti pela Copa do Mundo. Aproveitando a data e o clima de união proporcionado pelo futebol, decidiu compartilhar uma mensagem de conscientização sobre a importância da doação.
Doadora de sangue desde 2013, Morgana afirma que cada doação representa uma oportunidade de ajudar pessoas que enfrentam tratamentos, cirurgias ou situações de emergência. Mais do que isso, ela também mantém seu cadastro ativo como possível doadora de medula óssea, acreditando que um simples gesto pode mudar completamente a história de alguém.
Durante sua passagem pelo Hemosc, ela viveu um momento que a marcou profundamente. Morgana conheceu a pequena Maitê, uma menina de apenas 1 ano e 6 meses que aguarda por um doador de medula óssea compatível para realizar o transplante que poderá lhe proporcionar a cura.
O encontro emocionou a fumacense e reforçou ainda mais sua disposição em divulgar a causa.
“Com a camiseta que ganhei no Hemosc para torcer pelo Brasil, quero aproveitar também para fazer um convite muito especial: que as pessoas sejam doadoras de sangue e, principalmente, que quem tem entre 18 e 35 anos se cadastre como doador de medula óssea”, destacou.
Segundo ela, conhecer a história de Maitê trouxe um significado ainda maior para sua participação na campanha.
“Hoje tive o prazer e o privilégio de conhecer a Maitê. Ela tem apenas um ano e seis meses e precisa de um doador de medula compatível para receber a sua cura. Os pais dela são verdadeiros guerreiros, mas ela é ainda mais forte. Tem um sorriso maravilhoso e uma força que emociona”, relatou.
A importância da doação de sangue
A doação de sangue é um dos gestos mais simples e importantes que uma pessoa pode realizar. Todos os dias, hospitais e unidades de saúde dependem dos estoques dos hemocentros para atender pacientes vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias, pacientes em tratamento contra o câncer e portadores de diversas doenças que necessitam de transfusões.
Apesar da constante necessidade, os estoques frequentemente sofrem oscilações ao longo do ano. Períodos de férias, feriados prolongados e mudanças climáticas costumam impactar diretamente o número de doadores.
Por isso, campanhas de conscientização são fundamentais para lembrar que o sangue não pode ser fabricado e depende exclusivamente da solidariedade da população.
Morgana faz parte desse grupo de voluntários que mantém o compromisso permanente com a doação. Desde 2013, ela realiza regularmente o procedimento, entendendo que cada bolsa coletada pode beneficiar mais de uma pessoa.
O desafio da doação de medula óssea
Se a doação de sangue já é essencial, a doação de medula óssea representa uma esperança ainda mais específica para milhares de pacientes que aguardam por um transplante.
A medula óssea é responsável pela produção das células sanguíneas e o transplante pode ser a única alternativa de tratamento para pessoas com leucemia e outras doenças graves do sangue.
O grande desafio está na compatibilidade genética. Encontrar um doador compatível fora do círculo familiar é extremamente difícil, o que torna indispensável a existência de um amplo banco de dados de voluntários cadastrados.
Foi justamente por entender essa necessidade que Morgana decidiu se cadastrar no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).
“Eu sou cadastrada como doadora de medula e, se fosse compatível com a Maitê, ela já estaria curada. O que eu posso fazer agora é convidar outras pessoas a realizarem esse cadastro e, quem sabe, salvar a vida da Maitê ou de tantas outras pessoas que aguardam por um transplante”, afirmou.

Quem pode se cadastrar?
Muitas pessoas desconhecem que o cadastro para doação de medula óssea é simples e rápido.
Podem se cadastrar pessoas com idade entre 18 e 35 anos, em boas condições de saúde. O procedimento inicial consiste apenas na coleta de uma pequena amostra de sangue, utilizada para identificar as características genéticas do voluntário.
Essas informações passam a integrar o REDOME, que cruza os dados dos doadores cadastrados com os pacientes que necessitam de transplante.
Caso seja encontrada compatibilidade, o possível doador é contatado para a realização de exames complementares e para receber todas as orientações necessárias sobre o processo.
Morgana aproveitou para esclarecer uma dúvida frequente.
“Muitas pessoas me perguntam sobre a idade para se cadastrar. É preciso ter entre 18 e 35 anos para entrar no REDOME. Depois do cadastro, o nome permanece registrado até os 60 anos, podendo ser chamado caso exista compatibilidade com algum paciente”, explicou.

Uma vitória que vai além dos gramados
A vitória do Brasil sobre o Haiti trouxe alegria aos torcedores brasileiros na noite de sexta-feira. Porém, para Morgana, o dia também serviu para lembrar que existem outras batalhas sendo travadas diariamente por famílias em todo o país.
Enquanto atletas entram em campo em busca de vitórias esportivas, crianças como Maitê e milhares de outros pacientes aguardam pela chance de encontrar um doador compatível que possa representar a continuidade da vida.
A campanha “Tempo de Copa do Mundo, Tempo de Doar” busca justamente unir esses sentimentos de esperança, união e superação. A mensagem é simples: vestir a camisa da solidariedade pode ser tão importante quanto vestir a camisa da Seleção.
Para Morgana, a maior vitória acontece quando alguém decide ajudar o próximo.
Seu apelo é para que mais pessoas procurem o Hemosc, tornem-se doadoras de sangue e, aqueles que se enquadram nos critérios, realizem também o cadastro para doação de medula óssea. Um gesto que leva apenas alguns minutos, mas que pode representar décadas de vida para quem espera por uma oportunidade de cura.



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