Médico preso por descumprir medida protetiva também é investigado por ameaças em Morro da Fumaça
Além da investigação por violência doméstica em Araranguá, o médico é citado em boletim de ocorrência registrado em Morro da Fumaça, onde duas mulheres relataram ameaças, ofensas e intimidações no ambiente de trabalho
O mandado de prisão foi executado em Criciúma Um médico de 34 anos, que estava foragido da Justiça, foi preso preventivamente nesta quarta-feira, dia 26, em Criciúma, após uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá. O homem era procurado desde a última quinta-feira por suspeita de violência doméstica e familiar contra a mulher, além de reiterados descumprimentos de medidas protetivas de urgência.
De acordo com a delegada Eliane Chaves, responsável pela investigação, o inquérito policial teve início após o registro de ameaças de morte contra a ex-companheira do investigado e a mãe dela, além de outras condutas ofensivas. Diante da gravidade da situação, foram solicitadas e concedidas medidas protetivas em favor das vítimas.
Mesmo após as determinações judiciais, a investigação apontou que o médico continuou mantendo contato com familiares da ex-companheira, encaminhando mensagens ao telefone da mãe da vítima. Segundo a Polícia Civil, a repetição das condutas demonstrou que as medidas impostas não eram suficientes para interromper a violência, motivando o pedido de prisão preventiva, posteriormente deferido pelo Poder Judiciário.
Após tomar conhecimento da expedição do mandado de prisão, o investigado não foi localizado nos endereços conhecidos e passou a permanecer escondido enquanto era procurado pela Polícia Civil. Durante esse período, publicou diversos vídeos em redes sociais nos quais, conforme a delegada, debochava da atuação das autoridades e fazia novas acusações e declarações ofensivas contra a ex-companheira, familiares dela e outras pessoas. As publicações também poderão resultar na apuração de novos crimes, entre eles calúnia, difamação, injúria e ameaça. Em algumas gravações, o médico ainda convidava mulheres para entrarem em contato com ele pelas redes sociais, mesmo sabendo que era procurado pela Justiça.
As investigações também apontaram que outras pessoas teriam sido atingidas pelas condutas do investigado. Entre elas está a proprietária de um laboratório de Araranguá, que registrou boletins de ocorrência relatando intimidações, ataques à sua credibilidade profissional e acusações de fraude divulgadas nas redes sociais pelo médico. Após novas publicações, nas quais mencionava pessoas nominalmente e afirmava que elas teriam de "pagar" pelo que teriam feito, a empresária manifestou interesse em representar criminalmente.
A apuração revelou ainda outros registros policiais envolvendo diferentes vítimas. Em Morro da Fumaça, duas mulheres relataram ameaças, ofensas, cobranças e comportamentos intimidatórios atribuídos ao médico no ambiente profissional. Uma delas informou, inclusive, ter recebido uma mensagem contendo grave ameaça contra diversas pessoas.
As diligências indicaram que o foragido estava escondido com o auxílio de amigos em um bairro de Criciúma. A partir dessas informações, a DPCAMI de Araranguá solicitou apoio à Delegacia de Investigação Criminal (DIC/DRR) de Criciúma, que conseguiu localizar e prender o investigado em via pública nesta quarta-feira, cumprindo o mandado de prisão preventiva.
Durante a abordagem, os policiais encontraram substâncias entorpecentes com o médico. Além do cumprimento da ordem judicial, foi lavrado um Termo Circunstanciado em relação ao fato.
A delegada Eliane Chaves destacou a atuação da equipe da DIC/DRR de Criciúma, coordenada pelo delegado Yuri, ressaltando que a integração entre as unidades policiais foi decisiva para localizar e prender o foragido. Ela também reforçou que medidas protetivas de urgência são ordens judiciais que devem ser rigorosamente cumpridas e que, quando há insistência no descumprimento e continuidade das ameaças ou da violência, a prisão cautelar pode ser necessária para garantir a segurança das vítimas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para apurar todos os fatos ocorridos durante o período em que o médico permaneceu foragido, incluindo as publicações feitas nas redes sociais e a eventual prática de novos crimes. As identidades da ex-companheira, de seus familiares e das demais vítimas permanecem preservadas, em respeito à legislação e para evitar qualquer forma de revitimização.



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