Escolhas diárias podem prevenir até 50% dos casos de câncer
Código Latino-Americano e Caribenho convida a sociedade civil a cuidar da saúde de forma integral através de 17 recomendações para reduzir riscos de doenças graves
Exame de imagem realizado no Hospital Moinhos de Vento Exposição prolongada ao sol, alimentação ultraprocessada e a frequência (ou a ausência) de atividades físicas são escolhas corriqueiras do cotidiano que têm impacto direto na prevenção de doenças graves. O Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer reúne 17 recomendações baseadas em evidências científicas que podem reduzir significativamente os riscos de câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis. Estima-se que de 30% a 50% dos casos de câncer mais comuns poderiam ser evitados com a adoção de mudanças simples nos hábitos diários, segundo a OMS.
O documento é resultado de um extenso trabalho de pesquisa que reuniu especialistas e representantes da sociedade civil da América Latina e do Caribe, convocados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Entre os especialistas convidados está Maira Caleffi*, médica mastologista e chefe do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento.
As recomendações incluem abandono do tabaco e redução do consumo de álcool, manutenção de peso saudável, alimentação baseada em vegetais, frutas e grãos integrais, prática regular de atividade física, vacinação contra HPV e Hepatite B, proteção contra exposição solar e poluição, aleitamento materno e participação em programas de rastreamento para detecção precoce de cânceres de mama, colo do útero e colorretal. Estudos demonstram que cerca de um terço dos casos de câncer poderiam ser prevenidos com o controle de fatores de risco modificáveis.
Este é o primeiro documento mundial planejado especificamente para as particularidades das comunidades latinas e caribenhas, mostrando como a adoção consciente de novos hábitos pode ser a revolução que começa em casa e ecoa em toda a comunidade. "A importância deste guia reside na sua capacidade de combater não apenas o câncer, mas um conjunto de doenças não comunicáveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que compartilham os mesmos fatores de risco. A prevenção reduz significativamente as possibilidades de incidência de câncer e o Código é um compilado valioso", destaca a médica, que também é fundadora do Femama e preside o Conselho Administrativo do Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC).

Para acessar o documento completo, clique aqui.
O guia propõe que os países estabeleçam metas intermediárias para alcançar a implementação gradual das recomendações que requerem infraestrutura não disponível no momento da publicação do código. O material está disponível nos idiomas português, espanhol e inglês, acompanhado de programas de treinamento para profissionais da saúde da atenção primária, visando capilarizar estas diretrizes em toda América Latina.
"O objetivo central é que o óbvio seja dito e praticado: cuidar da saúde de forma integral, gerenciando o estresse e modificando hábitos, é a solução mais eficaz para conter o avanço das doenças crônicas na América Latina", conclui Maira Caleffi.
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*Maira Caleffi, médica mastologista e chefe do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento, fundadora do Femama, presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC) e membro do board da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) em Genebra.



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