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  • Morro da Fumaça, 05/08/2026
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    A infância pede presença

    O perigo não bate mais à porta

    Artigo alerta para os riscos do uso excessivo das telas e reforça que a presença da família continua sendo a principal forma de proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.


    O perigo não bate mais à porta

    Houve um tempo em que os pais ensinavam seus filhos a não abrir a porta para estranhos.

    Hoje, a porta continua fechada. Mas a janela está aberta. E ela cabe na palma da mão.

    O perigo já não está apenas nas ruas. Ele entra pela tela do celular, pelo jogo online, pelas redes sociais e pelos aplicativos de conversa. Muitas vezes, sem fazer barulho.

    Como Neuropsicopedagoga e  Coordenadora Pedagógica,  escrevemos esta coluna porque acreditamos que proteger a infância nunca foi tão urgente.

    Não estamos em uma guerra contra a tecnologia. Estamos em defesa da infância.

    As telas aproximam quem está longe, mas jamais podem substituir a presença de quem está perto.

    Os dados são preocupantes. Um estudo do UNICEF mostrou que, no Brasil, uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano.  Redes sociais, jogos e aplicativos de mensagens passaram a ser utilizados para aliciamento, chantagens e exploração infantil.

    O abuso Hoje  pode começar com uma conversa aparentemente inocente, um pedido de amizade, um elogio, um desafio em um jogo ou uma mensagem privada. É assim que muitos abusadores conquistam a confiança das crianças antes de manipulá-las.

    Enquanto isso, muitos adultos acreditam que seus filhos estão seguros apenas porque permanecem dentro de casa.

    Mas segurança não é apenas saber onde a criança está.

    É saber com quem ela conversa, o que ela consome, quem influencia seus pensamentos e quem está educando seu coração quando nós não estamos presentes.

    O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento. A criança não possui maturidade para identificar todas as formas de manipulação, distinguir intenções ocultas ou perceber os riscos que um adulto mal-intencionado consegue esconder atrás de uma tela.

    Por isso, nenhuma tecnologia substitui aquilo que mais protege uma criança: a presença de um adulto disponível.

    O Movimento Infância sem Telas não propõe apenas reduzir o tempo diante dos dispositivos.

    Propõe devolver às crianças aquilo de que elas mais precisam: pais que conversem, professores que orientem, famílias que brinquem juntas, histórias contadas no colo, olhos nos olhos, refeições sem celulares, risadas compartilhadas e vínculos fortes.

    Porque crianças conectadas precisam, antes de tudo, estar profundamente conectadas com suas famílias.

    Nossa mensagem desta semana é um convite.

    Desligue a tela por alguns minutos.

    Olhe para seu filho.

    Brinque.

    Converse.

    Escute.

    Nenhum algoritmo conhece seu filho melhor do que você pode conhecê-lo.

    E nenhuma tecnologia protegerá uma criança tão bem quanto um adulto verdadeiramente presente.

    Movimento Infância sem Telas

    Mais presença. Menos telas. Mais infância.




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