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  • Morro da Fumaça, 25/09/2026
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    A infância pede presença

    Seu filho não consegue ou ainda não teve a chance de tentar?

    Permitir que a criança enfrente pequenos desafios fortalece a autonomia, a confiança e a capacidade de resolver problemas.


    Seu filho não consegue ou ainda não teve a chance de tentar?

    “Deixa que eu faço.”

    Quantas vezes dizemos essa frase ao longo do dia sem nem perceber?

    A criança demora para colocar o tênis, e nós ajudamos. Não consegue abrir uma embalagem, e abrimos. Está procurando alguma coisa, e logo encontramos. Surge uma dificuldade na tarefa da escola, e já sentamos ao lado para explicar. Esqueceu algo, teve um problema com um colega, não sabe como resolver determinada situação... e nosso primeiro impulso é entrar em cena.

    Fazemos isso porque queremos ajudar. Porque é mais rápido. Porque não queremos vê-los tendo dificuldade. E, muitas vezes, porque aprendemos que estar presentes na vida dos nossos filhos significa ajudá-los sempre que precisam.

    Mas será que toda ajuda realmente ajuda?

    Outro dia, conversando com um pai, ele me trouxe uma dúvida muito interessante. Falávamos sobre as tarefas escolares e ele comentou que hoje se fala muito sobre a importância de os pais acompanharem os filhos. Ao mesmo tempo, ele se perguntava: em que momento a criança aprende a fazer sozinha?

    A pergunta ficou comigo.

    Porque existe uma diferença importante entre estar disponível para uma criança e fazer por ela aquilo que ela já poderia começar a tentar fazer sozinha.

    E talvez, na correria do cotidiano e na vontade de ajudar, nem sempre percebamos essa diferença.

    Aprender não acontece somente quando alguém ensina como fazer. Acontece também quando a criança não sabe o que fazer.

    Quando precisa pensar.

    Quando tenta de um jeito e não dá certo.

    Quando volta, observa, muda a estratégia e tenta novamente.

    É nesse espaço entre o “não sei” e o “consegui” que muita coisa acontece.

    A criança não está apenas aprendendo a fechar um zíper, organizar uma mochila, resolver uma questão ou encontrar aquilo que perdeu. Está aprendendo a pensar diante de um problema. A buscar alternativas. A persistir. A perceber que nem sempre alguém terá uma resposta pronta para entregar.

    E, principalmente, vai construindo uma percepção muito importante sobre si mesma: eu sou capaz de tentar.

    Talvez seja justamente aí que nós, adultos, tenhamos um desafio.

    Suportar alguns minutos a mais.

    Esperar antes de fazer.

    Não entregar imediatamente a resposta.

    Às vezes, em vez de dizer “deixa que eu faço”, podemos perguntar:

    “Como você acha que dá para resolver?”

    “O que você já tentou?”

    “Tem outro jeito?”

    “Qual parte você consegue fazer sozinho?”

    “Quer tentar mais uma vez e, se precisar, eu te ajudo?”

    Isso não significa deixar a criança desamparada diante de algo que ainda não consegue fazer. Crianças precisam de orientação, apoio e segurança. E cada idade, cada momento e cada criança exigem um olhar diferente.


    A questão não é deixar de ajudar.

    É perceber como estamos ajudando.

    Nas tarefas escolares, por exemplo, acompanhar não precisa significar permanecer ao lado o tempo inteiro, explicar cada questão ou oferecer a resposta diante da primeira dificuldade. Podemos ajudar a organizar o espaço, orientar quando realmente houver uma dúvida, ensinar a buscar uma informação e estar disponíveis quando necessário.

    Mas a tarefa precisa continuar sendo da criança.

    Assim como, aos poucos, também podem ser dela algumas responsabilidades do cotidiano: cuidar dos próprios pertences, lembrar do que precisa levar, procurar algo que perdeu, organizar seus materiais, pensar em uma saída para um pequeno problema.

    Nem sempre ela fará do jeito que nós faríamos.

    Talvez demore mais, erre, esqueça. Talvez precise voltar e fazer novamente.

    E tudo isso também faz parte de aprender.

    Às vezes, na tentativa de preparar o caminho para nossos filhos, retiramos justamente algumas das pequenas dificuldades que poderiam prepará-los para o caminho.

    Eles precisam saber que podem contar conosco. Mas também precisam descobrir que podem contar consigo mesmos.

    Talvez, antes do próximo “deixa que eu faço”, valha esperar um pouquinho.

    Pode ser que seu filho não esteja precisando que você faça por ele.

    Pode ser que esteja apenas precisando da oportunidade de descobrir que consegue.




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